Regional

Segurança é deficiente em vários trechos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A rodovia Marechal Rondon, no trecho entre Bauru e Botucatu, registrou, no ano passado, 842 acidentes (veja quadro nesta página). Deduzir dessa estatística as ocorrências que poderiam ser evitadas é impossível. A falha pode ter sido da engenharia da pista, mas a falha humana ou mecânica também estão sempre presentes.

Em pelo menos três acidentes ocorridos no ano passado, a segurança da rodovia foi colocada sob suspeita. Os três ocorreram de forma parecida e igualmente poderiam ter sido evitados caso o Departamento de Estrada de Rodagem (DER), responsável pelo trecho, tivesse tomado alguns cuidados básicos. Os três caíram no vão que existe entre viadutos.

O delegado de Agudos, Eron Veríssimo Gimenez, acredita que a simples instalação de defensas metálicas (proteção) alguns metros antes desses viadutos poderia ter impedido que os veículos saíssem da pista e se espatifassem na estrada que passa por debaixo dos viadutos.

Em fevereiro do ano passado, quatro jovens morreram carbonizados quando o veículo em que estavam se projetou entre os viadutos do quilômetro 311, no trevo de acesso a Borebi. Hoje, o local conta com as defensas.

No mês seguinte, mais duas pessoas perderam a vida em um viaduto da Rondon. Desta vez, foi no quilômetro 320, no viaduto conhecido como do “Pexe Loko”, por causa de um pesqueiro que existe próximo dali.

Dois meses mais tarde, no mesmo local, morreu um casal que viajava em uma Blazer. O veículo saiu da pista, passou entre os viadutos e caiu de uma altura de cinco metros, aproximadamente.

Em 2002 e 2004, já tinham sido registrados outros dois acidentes nas mesmas circunstâncias, na área que pertence a Agudos. A repetição levou o delegado a defender publicamente a imediata instalação das defensas em todos os viadutos que estão na área de Agudos.

Além desses, muitos outros não possuem tal proteção ao longo da rodovia. Nos 30 quilômetros que separam Lençóis Paulista de São Manuel existem sete viadutos. Nenhum deles conta com o reforço das defensas metálicas.

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Sem proteção

Mas não são apenas os viadutos sem proteção que representam risco aos motoristas que viajam pela Rondon. No quilômetro 322, existe uma curva acentuada que já foi batizada de “curva da morte” por causa dos constantes acidentes no local.

Ficou comprovado, por laudos técnicos, que a pista apresentava um defeito. Ele “jogava” os veículos para fora da rodovia. O trecho passou por reparos e hoje não representa tanto perigo, segundo as estatísticas, mas ainda merece uma atenção especial dos motoristas.

Outro problema apontado por especialistas ouvidos pelo JC, é a falta de proteção nos trechos onde existem barrancos. Em alguns pontos, o desnível entre uma pista e outra chega a cerca de três metros. Uma altura considerável, se for levada em consideração a velocidade que os veículos passam por ali.

Alguns desses locais não possuem proteção lateral. Um pequeno descuido pode ser fatal. Ainda mais se esse descuido acontecer no quilômetro 296 (sentido Capital-Interior), pouco antes de Lençóis Paulista. O barranco do lado direito do motorista é assustador.

Em outros dois pontos, a pista está ameaçada de desmoronamento. Um deles fica no quilômetro 301 da Rondon, em Lençóis Paulista, debaixo do viaduto que dá acesso ao município de Macatuba.

O outro fica 20 quilômetros adiante (no sentido Interior-Capital). Três erosões, uma delas de proporções preocupantes, avançam pela lateral da pista e já são uma ameaça para quem passa por aquele trecho.

A ausência de baias para o escoamento de água da chuva em alguns pontos baixos é outra deficiência apontada pelos especialistas. Sem ter para onde correr, a água acaba acumulando na pista, o que representa um sério risco para os motoristas. Essa situação foi constatada pela reportagem em vários trechos, como no quilômetro 287 (sentido Interior-Capital) e no 284 (sentido Capital-Interior), ambos próximos à praça de pedágio de Areiópolis.

Outro trecho que preocupa é o do quilômetro 289 (sentido Capital-Interior), onde existe uma estrada rural com saída para a rodovia. A estrada fica em um plano mais alto. Quando chove, a água desce pela estrada e escorre direto para a rodovia, levando pedras, lama e outras sujeiras.

Desde agosto do ano passado, o DER está fazendo um trabalho de recuperação da Marechal Rondon, entre Bauru e Botucatu. Segundo a assessoria de imprensa, estão previstas, além do recape, várias obras de melhorias. Entre elas, a instalação de defensas metálicas e outras medidas para melhorar a segurança dos usuários.

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