Tribuna do Leitor

Alckmin, Opus Dei, Serra e outras coisas


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A revista ÉPOCA publicou recentemente uma matéria sobre a organização ultraconservadora Opus Dei, que mostra sua espetacular inserção nas camadas da classe média brasileira impondo teses de vida mais que anacrônicas e medievais. Graças a alguns dos seus dissidentes, que ocupam cargos importantes na sociedade, soube-se o modo de ação dessa organização no Brasil. Sempre se afirmou que o governador Alckmin tem postura conservadora, na vida e na política. Agora fica mais claro depois da declaração de um dos chefões da Opus Dei, ao referir-se às chamadas “Palestras do Morumbi” realizadas todas as terças feiras à noite dentro do Palácio dos Bandeirantes, contando com a presença de importantes homens de negócios, objetivando a doutrinação ideológica que remete ao século XVIII, mostra o real comprometimento do chefe de estado com esta entidade retrógrada. Deus nos livre deste postulante ao cargo de presidente da República.

Não bastasse isso, a Agencia de Noticias CARTA MAIOR menciona a existência de um outro grupo ligado ao governador (também se reúnem regularmente no Palácio), com perfil conservador e ultraneoliberal denominado “República dos Bandeirantes”, que vem assessorando Alckmin em seu programa de governo à presidência. Alguns nomes mais conhecidos: Luiz Carlos Mendonça de Barros, Armínio Fraga, Paulo Renato, Roberto Gianneti da Fonseca, Xico Graziano, Jose Pastore e Yoshiaki Nakano. Algumas pérolas das inúmeras propostas para liquidar o Estado brasileiro: reforma trabalhista radical com cortes de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estaduais, Correios, rodovias, Banco do Brasil, Caixa Econômica, aeroportos, portos; redução de 50% dos ministérios; incentivo às demissões de 40% dos servidores públicos; cortes de despesas constitucionais obrigatórias em áreas como saúde e educação; incremento da política de superávit primário na economia; desprezar o Mercosul e retomar a Alca e pior, não alterar significativamente a política dos juros e taxa Selic.

É de doer saber destas ações, ainda mais quando os Estados Unidos, inventores do neoliberalismo econômico, da reengenharia de Estado, há mais de 05 anos abandonaram essas práticas, pois nenhuma deu certo tanto na maquina publica como na iniciativa privada. O que a república dos Bandeirantes quer e seu inventor Alckmin pretende é o chamado Estado zero, mínimo ou nenhum estado de preferência. Como ficará a imensa maioria da população miserável? É, seu governador, o mercado sozinho dará um jeito, isto é, mandarão todos para o inferno eterno. Por outro lado, José Serra, tido como centralizador, e o é, tem uma concepção de Estado e visão social totalmente oposta ao do governador. Sempre foi um político antineoliberal, defende a presença do Estado nas áreas sociais com maior aporte de recursos possíveis, é desenvolvimentista, contra a política de juros e superávit primário, quer a retomada do desenvolvimento econômico já no segundo semestre do seu mandato e é a antítese do governador, pois ele manda, tem luz própria, conhece como ninguém as articulações políticas e a economia mundial. Será um presidente altaneiro que cuidará das necessidades do nosso povo e retomará a nossa posição de uma das 5 principais economias do mundo. É por isso que o comando nacional tucano deve indicar Serra como candidato do partido. No entanto, um alerta. Ou o PSDB acaba logo com a divisão de duas candidaturas ou o nosso velho Lula será reeleito.

Carlos Orlando Lopes - Botucatu - SP

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