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Lula pede para Bono divulgar biodiesel

Por Eduardo Scolese e Kennedy Alencar | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Em encontro ontem com Bono Vox, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ajuda ao roqueiro irlandês do U2 para fazer “propaganda no mundo” do biodiesel. Bono disse que já tinha ouvido falar do biodiesel, prometeu ajuda a Lula e disse que doará uma guitarra que usará nos shows de hoje e amanhã em São Paulo para ser leiloada pelo Fome Zero.

O líder do U2 disse a Lula que deseja comparecer em 2007 ao Fórum Social Mundial, evento que se realiza em oposição ao Fórum Econômico Mundial, do qual o roqueiro é freqüentador assíduo. Lula o incentivou, dizendo que falar nos dois fóruns é importante, pois seria preciso “fazer uma ponte” entre os dois.

Ao falar do biodiesel, o presidente disse que a produção no Brasil favorece famílias de pequenos agricultores e gera renda para os mais pobres. Afirmou que, em escala mundial, seria alternativa “ecológica” ao petróleo. Lula também ofereceu ao irlandês cachaça mineira produzida pelo vice-presidente da República, José Alencar. Bono tomou num só gole, pulou e gritou “waaal”. “Forte”, disse.

Além de uma camisa da seleção brasileira, Lula o presenteou com uma bata que trouxe da viagem à África. O encontro aconteceu na Granja do Torto, a pedido de Bono, segundo a Presidência. Ao falar do biodiesel, Lula trouxe o vidro com sementes de mamona. Avisou que eram tóxicas e que não deveriam ser colocadas na boca. E deu a Bono um DVD produzido pela TVE sobre o biodiesel, numa versão em inglês.

O roqueiro disse que freqüenta Davos porque “lá se encontram os gatos gordos, inclusive eu”, numa referência à platéia rica e poderosa do Fórum Econômico Mundial. Ao falar que deseja ir ao Fórum Social Mundial em 2007, o roqueiro disse que desejava encontrar os “gatos magros”. A auxiliares Lula disse que achou Bono “politizado” e “comprometido” com o combate à pobreza.

Na companhia do ministro Gilberto Gil (Cultura) e da primeira-dama Marisa Letícia, Lula falou do Bolsa Família, principal programa social do governo. Ao chegar ao Brasil, Bono disse que gostaria de conversar com Lula justamente sobre novas opções de combate à pobreza. “Eu estou com a expectativa de encontrar com o presidente porque ele luta não apenas contra a pobreza no Brasil mas também contra a pobreza em todo o mundo, como na África. Eu estou ansioso por conta disso”, declarou o roqueiro.

No almoço, a Presidência ofereceu carne e peixe assados e saladas. De sobremesa, frutas tropicais e pudim de tapioca. Tumulto A chegada de Bono à Granja do Torto foi tumultuada. Mesmo diante do empurra-empurra, ele desceu do carro e gesticulou pedindo silêncio a cerca de 150 fãs para falar. O pedido não foi totalmente atendido. Alguns gritos de fãs prosseguiram.

Antes de comentar sua “ansiedade” de reencontrar o presidente brasileiro, com quem esteve no Fórum Econômico Mundial de 2005, em Davos, na Suíça, o vocalista falou do “sonho” que tinha de conhecer Brasília. “Em toda a minha vida eu queria vir a Brasília. É um grande sonho estar aqui.”

Após o almoço e antes de se dirigir ao aeroporto, Bono percorreu a Esplanada dos Ministérios. Passou em frente ao Palácio do Planalto e fez, ao lado do ministro Gil, rápida visita ao Palácio da Alvorada, que está em fase final de restauração.

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