A apresentação de música sertaneja anteontem no Parque Vitória Régia deveria reunir interessados em cultura e lazer, mas terminou em vandalismo: dois orelhões quebrados, um bebedouro estragado e lâmpadas estilhaçadas. Os vândalos também arremessaram cascas de frutas no cantor enquanto ele estava se apresentando. A Polícia Militar foi chamada para coibir os excessos, mas os responsáveis pelo vandalismo não se intimidaram.
Morando próximo ao Vitória Régia há 30 anos, a dentista Marilda Mangialardo Morom conta que os autores do vandalismo são integrantes de um grupo de adolescentes que se veste com roupas pretas - o mesmo que freqüentava o parque para assistir shows de rock aos domingos. Segundo ela, depois que as apresentações foram suspensas, no ano passado, os adolescentes continuaram freqüentando o parque. “Eles ficam bêbados, sobem nos muros e arrancam tijolos. Fazem muita bagunça”, conta.
O projeto Vitória Rock, que promovia os shows de rock, está suspenso desde agosto do ano passado por falta de estrutura e de conscientização do público, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde. O titular da pasta, José Augusto Ribeiro Vinagre, não acredita em represálias do grupo de adolescentes. “É um grupo isolado que esteve ontem (anteontem) no parque. As pessoas que costumavam freqüentar os shows de rock não faziam bagunça”, diz.
Morom ficou inconformada quando verificou, ontem pela manhã, os estragos feitos na noite de domingo: os fios e bocal dos dois telefones públicos que ficam em frente à concha acústica do parque foram arrancados, inutilizando os aparelhos. O bebedouro localizado em frente aos orelhões também foi danificado. A água ficou escorrendo pela calçada a noite toda e um funcionários da prefeitura, que constatou o vandalismo ontem de manhã, fechou o registro para acabar com o desperdício.
Segundo a moradora, o problema de depredação é antigo. “Não foi a primeira vez que os orelhões foram quebrados. Os postes de luz também já foram danificados mais de uma vez. Ontem (anteontem) mesmo, os adolescentes subiam no teto dos banheiros públicos e atiravam pedras nas lâmpadas e também no palco em que o artista estava se apresentando. Eles faziam gestos obscenos para os músicos”, afirma. “Essas confusões acabam afastando as pessoas que poderiam aproveitar o parque para lazer”, desabafa.
O comerciante Valdemir Sanvezzo, proprietário de um restaurante no Parque Vitória Régia, confirma que o espaço público não tem sido freqüentado só por pessoas interessadas em lazer. “O grupo de adolescentes desce da Praça da Paz (localizada na avenida Nações Unidas) para o Parque (Vitória Régia) e faz bagunça. A área verde, que deveria ser um espaço de lazer, não tem segurança. Nós (comerciantes e moradores) mesmos que precisamos zelar pelo local. Ficamos atentos e avisamos uns aos outros quando percebemos alguma coisa de errado”, diz o comerciante.
Vinagre classificou a ação dos adolescentes de jogar cascas de fruta no cantor sertanejo que se apresentou no parque como um “ato de rebeldia’ que foi controlado rapidamente. “Foi um fato isolado e as apresentações musicais continuarão acontecendo normalmente’, diz.