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UEE quer ativar movimento estudantil

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Numa tentativa de reativar o movimento estudantil universitário em Bauru, a União Estadual dos Estudantes (UEE) está percorrendo cada instituição de ensino superior da cidade para estimular a regularização e a formação de diretórios e centros acadêmicos. A meta ambiciosa da UEE, revela o diretor da entidade Rafael Gomes, é que cada um dos cerca de 110 cursos universitários de Bauru possua seu centro acadêmico até abril.

“Bauru está com 17 entidades, entre diretórios e centros acadêmicos em funcionamento. A meta é que todos os cursos tenham representatividade”, conta Gomes, que desde a semana passada está atuando na região. Pelos cálculos da UEE, a cidade conta hoje com 110 cursos, 20% a mais do que computou o censo universitário do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2003.

“Queremos reativar a representatividade dos centro acadêmicos até abril, quando acontecerá o congresso dos estudantes”, explica Gomes. O objetivo é ambicioso, pois o 11º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional dos Estudantes (UNE), está marcado para começar no dia 13 de abril, em Campinas. Para auxiliar os universitários que não possuem representatividade a participar do congresso, a UNE lançou neste semestre uma cartilha que explica passo a passo como montar e administrar um centro acadêmico.

Em Bauru, a estratégia do dirigente para fortalecer e ampliar o movimento estudantil é realizar uma reunião com as comissões eleitorais de cada curso e, numa assembléia geral, fundar todos os centros acadêmicos. Mas apesar do esforço de Gomes, a resposta em algumas instituições está lenta. Uma reunião marcada ontem com alunos da Faculdades Integradas de Bauru (FIB) teve de ser cancelada devido ao pequeno número de participantes.

Apesar disso, ele garante que os centros estarão consolidados até abril. “A receptividade nas faculdades está muito boa. Muitos cursos já estão em movimento eleitoral”, aponta Gomes.

Segundo Gomes, a UEE planeja priorizar o movimento estudantil da rede particular. Para o dirigente, as universidades privadas ainda possuem uma “cultura de resistência”. “Nas universidades públicas o debate é sistematizado, mas nas privadas ainda falta sustentabilizar o debate”, compara. Ele observa que as instituições particulares são as que mais apresentam problemas, mas os estudantes acabam não se envolvendo nas questões políticas acadêmicas.

Universidades

Thiago Luciano Segura, vice-presidente do Centro Acadêmico 9 de Julho, da Faculdade de Direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE), aponta que o que falta para o movimento estudantil em Bauru é representatividade política. Sobre a opinião de Gomes, ele acredita que houve uma melhora na atitude dos universitários da rede privada. “Nas instituições públicas, os estudantes são mais participativos. Mas estou sentindo uma melhora na rede particular. Os centros acadêmicos estão sendo mais procurados”, observa.

Já Patrícia Helena de Freitas de Souza, aluna do curso de artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), aponta que o centro acadêmico do seu curso está parado. Ela, que já foi do movimento dos estudantes secundaristas, tentou fazer parte do centro acadêmico, mas que em 2005, a entidade não passou das reuniões iniciais. “Dentro do próprio curso as pessoas não ligam muito”, conta.

Enquanto o seu centro acadêmico ainda busca se regularizar, a aluna pretende conseguir algumas melhorias “por fora”. “Vou tentar trazer o Circuito Universitário de Cultura e Arte (Cuca) da UNE para Bauru”, planeja.

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