Regional

Falso médico fez plantão em Pirajuí

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí – O falso médico Alessandro Marques Gonçalves, preso no último dia 9, em São Paulo, por exercício ilegal da profissão, atendeu na Santa Casa de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) no fim do ano passado.

A agente de segurança Noêmia Souza de Oliveira disse ter sido atendida pelo falso médico no dia 20 de novembro, um domingo, durante o plantão. O gerente administrativo do hospital, Luís Antônio, não soube informar com certeza, mas ele acredita que Gonçalves compareceu em apenas um plantão na Santa Casa. Ele atendeu 38 pacientes das 7h às 19h.

O gerente não soube dizer como se deu a contratação do falso médico para trabalhar na cidade. Segundo ele, essa informação poderia ser dada pela enfermeira-chefe do hospital, que estava de folga ontem.

Noêmia disse que procurou o pronto-socorro no dia 20 de novembro depois de se sentir mal na Penitenciária 1 da cidade, onde trabalha como agente de segurança. Era dia de visita no presídio. Noêmia teve queda de pressão e foi atendida pelo falso médico.

Antes da consulta, no entanto, ela relata que uma das coisas que mais chamou a atenção foi uma sutura feita sem anestesia em um paciente. “Eu nunca tinha visto uma coisa dessa”, relembra. Como o médico era novo na cidade, ela perguntou para uma enfermeira quem era e ficou sabendo que o plantonista era de Lins.

Quando chegou a vez dela, Noêmia contou o que estava sentindo, o falso médico mediu a pressão, receitou um medicamento e ainda forneceu um atestado médico, com carimbo e o número do Conselho Regional de Medicina (CRM). Noêmia conta que melhorou, mas voltou a sentir os mesmos sintomas pouco depois.

Depois de ter visto na TV a prisão em flagrante do falso médico, Noêmia ficou inconformada e procurou um advogado para processar Gonçalves, a Santa Casa e também o CRM. “Graças a Deus não fiquei com nenhuma seqüela, mas poderia ter morrido”, declara a agente, preocupada com os efeitos que uma medicação errada poderia provocar.

Um dos pacientes atendidos pelo falso médico, em Lins, morreu no início do ano por causa de uma hemorragia não contida.

Na sessão de anteontem, a Câmara Municipal aprovou o envio de requerimento à direção da Santa Casa questionando sobre os critérios usados para a contratação do falso médico.

O caso está sendo investigado também pela Polícia Civil. Nos próximos dias, a delegada Rosimeire Bárbara deve ouvir alguns dos pacientes atendidos por Gonçalves, inclusive Noêmia.

Gonçalves nunca freqüentou uma única aula de medicina. Ele chegou a cursar Direito, mas não foi até o fim. Ele deu vários plantões na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e fez até cirurgias na Santa Casa de Lins. Foram oito meses de trabalho sem levantar suspeitas.

Segundo a polícia, a fraude foi denunciada pelo irmão de uma ex-namorada de Gonçalves. Por meio de uma pesquisa na Internet, ele descobriu que o ex-cunhado já havia sido preso em Minas Gerais por exercício ilegal da medicina.

Para conseguir trabalhar, Gonçalves apresentava documentos falsos com o nome do médico Alessandro Gonçalves Campolina, que trabalha em São Paulo.

Gonçalves está preso no Centro de Detenção Provisória de Belém, na Capital, de onde foi transferido anteontem para depoimentos à polícia, em Lins.

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