Turismo

Estrada Real

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 2 min

Propriedades exclusivas da Coroa Imperial para conduzir ao porto de Paraty e Rio de Janeiro as riquezas retiradas das Minas Gerais, o caminho entre Diamantina e o mar que passa por centenas de cidades ganhou projeção turística e está, finalmente, aberto a novos visitantes.

Graças a parcerias entre a iniciativa pública e privada, a antiga passagem do fisco ganhou infra-estrutura, pousadas e investe num segmento que leva a novas divisas, incluindo econômica: o turismo. Essenciais para atrair novos investimentos e, claro, visitantes.

Únicas vias autorizadas na época da colônia de acesso às reservas auríferas e diamantíferas, esses trechos oferecem ao visitante a chance de descobrir mais sobre o passado brasileiro e se embrenhar por serras, desfiladeiros, margens de cursos de água e fazendas centenárias.

Lugares por onde circularam mais tarde imigrantes paulistas, baianos, pernambucanos e europeus; tropeiros do Sul e de São Paulo, boiadeiros do rio São Francisco e do rio das Velhas, sertanistas da Bahia, escravos negros e índios, mascates, administradores reais, homens do fisco, soldados mercenários e milícias oficiais.

Com a meta de unir aventura, esporte e aulas ao vivo de história, os ciclistas bauruenses Luís André Chella e Renato Lima traçaram em uma viagem de pouco mais de um mês os circuitos do ouro, desbravando-os a partir de Diamantina (MG) até Paraty (RJ) e Guaratinguetá (SP).

Patrocinada por empresas bauruenses, a viagem foi cercada de encantos, sacrifícios, surpresas, muito pó e pequenos acidentes, como o do dia em que uma pedra “voou” no olho de Chella, lesionando-o por alguns dias.

“Pedalamos 800 quilômetros de terra e dormimos em pousadas, repúblicas ou mesmo na mata. Mas a experiência valeu, tanto que pretendemos repeti-la e prestar assessoria a futuros viajantes”, detalha Chella.

Com mochila arrumada e bike revisada, os dois saíram de Diamantina, passaram por dezenas de vilarejos e cidades de médio porte e hoje encorajam outras pessoas a conhecerem esse trecho que proporciona as mais incríveis opções de esportes na terra, na água e no ar.

Ao longo dos quilômetros da Estrada Real há rios com corredeiras, montanhas cortadas por trilhas, especiais para caminhadas leves, maravilhas da Mata Atlântica e cachoeiras de tirar o fôlego. Além, claro, de pontos de apoio onde não falta a hospitalidade mineira. “Lá tudo é diferente, mais intimista, já que os habitantes dessas cidades por gerações sempre se preocuparam em tratar bem os visitantes, entre eles tropeiros cansados depois de uma longa jornada”.

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