Todos os pescadores devem estar com o saco cheio de ouvir histórias mentirosas de pescarias, mas vou contar uma que foi verdadeira. Num domingo bem cedo, peguei meu Fusca e fui com o amigo Cido fazer uma pescaria até Clavinote. A estrada ainda era de terra, por isso faz um tempão que essa história aconteceu.
Estava começando a clarear o dia e, ao longe, notamos um cara chutando algo. Quando cheguei perto, vi o que ele estava a chutar. Era um tatu que queria entrar no buraco. Aí, o cara chutava o dito cujo. E ele perguntou ao amigo Cido se queria levar o tatu, o que foi aceito.
Ele deixou o bicho no assoalho do carro e colocou o pé em cima. Aí, o bicho se acomodou. Eu dei carona ao cara até Clavinote. Chegando lá, começou o problema. Onde colocar o tatu? Eu caí na besteira de colocá-lo no capô dianteiro do Fusca. Tirei o estepe e coloquei o dito cujo em seu lugar.
Resolvida a colocação do tatu, vamos pescar! Pegamos as traias e só andamos poucos metros. Escuto um barulho estranho vindo do capô. Ao abrir, cadê o tatu! Ele já estava atrás do papelão do painel, fazendo o maior estrago. Começou a sair faísca da fiação. Fui desligar a bateria para evitar o curto circuito. E daí para tirar o dito cujo foi o maior sufoco, as unhas do bicho eram terríveis. Tinha ficado preso na fiação. E para tirá-lo e consertar a fiação?!
Demorou a manhã toda, e se eu não ouvisse o barulho no capô, o Fusca já era naquele tempo. O destino do tatu foi a panela dos pescadores que estavam por lá acampados. Depois daquele susto, a pescaria ficou um pouco perturbada. Mas a lição serviu. Tatu nunca mais.
Florindo Martins, pescador da barranca do rio