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Novos roteiros


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Onde posso ir às 2h da madrugada?, questionava um rapaz com ritmo biológico diferente da média. Quase todos responderiam: na boite, no bar, na frente da televisão, no motel ou até no bordel. Este jovem só não ouviria: vá até uma biblioteca! Biblioteca!? Como? Você está louco! Um velho pensador seria irônico: o “normal” a esta hora e sem nada para fazer seria ir a um bar e encher o cérebro de álcool, tabaco ou outra substância “recreacional”. O “normal” seria aumentar sua cultura à frente da televisão. O “normal” seria alimentar a obesidade, abrindo e fechando a geladeira para dar vazão ou congelar a ansiedade. Domingo à noitinha, em plena avenida Getúlio Vargas ou Gustavo Maciel: o carro novo, a etiqueta da calça, o brinco atual, a tatuagem da hora, o tênis importado, a cor do sol da praia ou clube, todos itens desfiláveis. Duas partes estão participando da mostra: os que ficam vendo parados e os que transitam pela passarela de asfalto irregular.

Bauru, um centro universitário e geográfico do Estado, está em dilema: o que fazer com o velho aeroporto. Aqui proponho uma viagem dos sonhos, diria utópica, mas tenho certeza realizável. Questão de prioridade! Todas universidades e escolas públicas e privadas, os clubes de serviço, o Estado, a prefeitura, os sindicatos de trabalhadores e as associações patronais reuniriam-se para viabilizar um projeto: numa grande área privilegiada da cidade se construiria uma biblioteca comunitária, núcleo inicial e principal de um Centro Cultural, com museu, teatro e centro de convenção, oficinas culturais, galerias de arte e centro de aprimoramento pessoal e profissional.

Nesta biblioteca haveria de se impregnar algumas características: *atingir todas as áreas do conhecimento com livros, periódicos, etc.* adequação às novas tecnologias; * servir a todas universidades e escolas; * todas as entidades relacionadas à ensino e educação, municipais, estaduais e federais, os sindicatos e associações patronais, enfim todos os envolvidos, teriam no seu estatuto um percentual de orçamento anual vinculados obrigatoriamente à esta biblioteca comunitária; *na arquitetura desta nova biblioteca não haveria lugar para portas, simplesmente não haveria portas, funcionaria 24 horas por dia. Nas grandes cidades e países evoluídos, biblioteca não fecha! Afinal, supermercados não estão mais fechando, assim como postos de serviços e lojas de conveniência, bares, livrarias, padarias, cinemas, etc. A biblioteca comunitária atuaria como o cérebro de nossa sociedade! Não podemos confundir biblioteca comunitária com aquelas formada por doações eventuais de livros. Biblioteca comunitária é produto de investimento em iniciativa planejada e audaciosa de toda uma sociedade. Não pode ser filantropia, mas sim investimento social e econômico. Nossa população predominante está na classe média, sensível à importância deste tipo de iniciativa, afinal isto atrairia investimentos pois seríamos conhecidos pela preocupação cultural e formação de sua gente. Isto atrai investimentos!

Uma vez solidificada a iniciativa, os protagonistas começariam a pensar em incubadora de novas empresas e industrias, as universidades investiriam suas economias assim obtidas na criação de novos cursos diurnos e noturnos. Os cursos seriam melhor aparelhados na fonte de informação. Enfim, a sociedade bauruense estaria investindo no futuro: depois de alguns anos de funcionamento ininterrupto e eficiente, o perfil da cidade e sua gente seria outro, a auto-estima estaria elevadíssima. Várias experiências em outros países revelam o sucesso de uma empreitada como esta, e entre nós, temos como exemplo o caso de São Carlos, onde um processo parecido teve lugar. Quem geraria esta biblioteca e centro cultural? A diretoria escolhida pelo conselho curador constituído por um representante de cada entidade co-responsável pelo projeto e avaliada a cada 2 anos. Este tipo de iniciativa constitui o seguro mais sólido para termos uma classe política local mais determinada, bem formada, historicamente lastreada em bom exemplos e pelo costume de freqüentar melhores ambientes. Quem sabe assim, nossa juventude, ao invés de ficar circulando em torno de alguns bares e boites, não freqüentaria e desfilaria nas proximidades de um centro cultural com biblioteca, cinemas, teatro, exposição de artes, show e performances artísticas.

O autor, Alberto Consolaro, é professor titular da USP

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