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Lula diz que faz campanha 365 dias por ano

Por Pedro Dias Leite e Chico de Gois | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Parnaíba - Para rebater as críticas de que suas viagens são eleitoreiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante discurso em Parnaíba, no Piauí, que homem público faz campanha “365 dias por ano”. Ele também disse que continuará viajando porque é “na rua que está a compreensão” das coisas feitas pelo governo.

“Um homem público não precisa de época de eleição para fazer campanha. Ele faz campanha do dia em que acorda, da hora em que acorda à hora em que dorme, 365 dias por ano. Se ele não fizer, os adversários farão, porque os adversários só se incomodam quando você está fazendo as coisas certas”, disse Lula, que ontem apareceu liderando a pesquisa de intenção de votos do Datafolha, vencendo Serra e Alckmin.

Ao citar números de inauguração de escolas técnicas profissionais, afirmou que “isso deixa as pessoas que não gostam de nós muito nervosas”. “Por que eles vão inaugurar? Não pode inaugurar, é ano que tem eleição, então o Lula tem de ficar sentado na cadeirinha dele, de presidente, esperando as pessoas irem lá pedir dinheiro. Não vou. Vou sair para rua porque é exatamente na rua que está a compreensão das coisas que estamos fazendo”, disse.

Lula criticou governadores que recebem dinheiro federal e não reconhecem a ajuda. Ele citou os repasse do governo a São Paulo. “Só de programas sociais, o meu governo passa R$ 2 bilhões por ano para São Paulo, que é o mais rico da Federação, para cuidar dos pobres de São Paulo, porque na maioria dos Estados os governadores não têm programa social. São poucos os que têm. E nós temos porque achamos que é assim que tem de ser”, disse.

O governador paulista Geraldo Alckmin é pré-candidato do PSDB à Presidência. Lula concluiu dizendo que que “tem muitos espertos no Brasil que recebem dinheiro do governo federal e fazem propaganda na televisão como se o dinheiro fosse dele, como se a obra fosse dele”. Antes de discursar, Lula ouviu um apelo do senador Alberto Silva (PMDB-PI), um dos muitos políticos que lotavam o palanque: “Você não disse ainda que é candidato à reeleição. Diga aqui! Diga!”, pediu o senador. Em seguida, começaram os gritos de “um, dois, três, é Lula outra vez”.

De bom humor, o presidente a todo momento pegava papeizinhos da platéia. Em alguns, lia as reivindicações, em outros, apenas dava seu autógrafo. Além do gestual de campanha, Lula manteve o discurso de época de eleição. Ele comparou sua dedicação às camadas mais populares à de uma mãe. “Um presidente da República que queira deixar o seu mandato com a consciência tranqüila do dever cumprido precisa governar a partir dos mais pobres. Embora possa ser o presidente de todos, sigo sempre o exemplo de uma mãe. Se ela tiver dez filhos e um for mais frágil, é àquele que ela vai dedicar maior atenção.” Lula também disse que vai “vencer”. “E é com esses amigos, Wellington (Dias, governador do PT-PI), que a gente vai vencer, com esses amigos que a gente vai governar este país.”

Mais tarde, na terra onde o ex-presidente José Sarney (PMDB-PA) mantém forte influência desde a década de 50 e seus seguidores apóiam explicitamente o governo, o presidente voltou a atacar a “elite deste país” que “se esqueceu da parte pobre da população”. Lula participou do lançamento da pedra fundamental para a extensão do campus da Universidade Federal do Maranhão, em Imperatriz. Numa fala cheia de citações a seus programas sociais, Lula disse que deixava Imperatriz “com a alma lavada”.

“Não fiz tudo o que ainda precisava fazer. Mas certamente já fizemos muito mais do que a elite que governou este país durante quase 500 anos e esqueceu a parte pobre da população.” No palco estavam aliados de Sarney, como os senadores Edison Lobão (PFL) e João Alberto (PMDB). Lula afirmou não ter orgulho de não ter um diploma. “Eu tenho uma frustração na minha vida. Eu não tenho diploma universitário, eu não pude fazer uma universidade. Eu não me orgulho disto não. Eu tenho de dar ao jovem de ontem a oportunidade que eu não tive”, afirmou, e foi aplaudido.

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