Politicando

O Velhinho do Clavinote


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Vejo com tristeza a confusão armada no seio do PT, com seus ex-dirigentes tentando e não conseguindo explicar questões elementares da administração do partido, constatando que o estrago promovido na esquerda brasileira de um modo geral é irreparável.

Tudo aquilo que a polícia política de Getúlio Vargas e da ditadura militar não conseguiram, mesmo utilizando-se de métodos medievais de convencimento, a “dupla” de Zés conseguiu, desmoralizando a esquerda, seus dirigentes e militantes. Conseguiram arrastar para o lamaçal, centenárias bandeiras de lutas do proletariado brasileiro que jamais deixaram de tremular enquanto empunhadas por camaradas dignos e despojados da necessidade de se transformarem em novos alpinistas sociais.

Sob o comando da dupla de “Zés” tudo mudou!Conquistas populares que custaram à vida de muitos patriotas começaram a ser revistas sob o ponto de vista da república petista de governar. Um dos “Zés” chegou a escrever e divulgar documento onde renegava seu passado de marxista. O outro, quando ainda no poder, chegou a contratar renomado escritor para relembrar seu passado de lutas contra a tirania.

Era a busca desenfreada de um plano de marketing pessoal em bus ca sedenta de mais poder. É... mas o barraco caiu!

Para alguns companheiros e militantes históricos dos movimentos populares este fato era previsível. Afinal, nos bastidores da esquerda sempre foi dito que a dupla de “Zés” durante o regime militar havia sido do time dos três tapas.

Um para falar e dois para parar. E tenho a certeza que se a cueca apertar por excesso de volume verde, a história pode se repetir. Muitos tapas se tornarão necessários para a dupla parar de falar.

E como recordar é viver, muito embora muitos não gostem de recordar o passado, não custa relembrar o escândalo que os militares fizeram quando descobriram um casaco de peles na casa ocupada por Luis Carlos Prestes, como se esta peça do vestuário fosse a prova de corrupção, esquecendo-se que o legendário “Cavaleiro da Esperança” havia residido por muitos anos na URSS, onde essa roupa era acessível à população em virtude do frio.

Hoje, é tudo diferente! Carros importados, fazendas, contas no exterior, surgem nas mãos de quem nunca lutou para fazer a história e que aproveitaram o espaço vago na carruagem do poder para partirem em busca de benesses pessoais. E quem acredita na dupla de “Zés”?

Como Luís Fernando Veríssimo matou a “Velhinha de Taubaté”, surge na defesa intransigente das maracutaias, um velho amigo, de ora em diante chamado de “Velhinho do Clavinote” que ao avançar da idade começa a crer que o governante está certo e seus integrantes incansavelmenteperseguidos pelas elites. De minha parte, creio que a dupla corre o sério risco de se transformar em trio. Tem “Zé” no poder que vem sendo visivelmente solapado por auxiliares diretos e na hora que acordar, estará fazendo parceria com os tão falados “Zés” do planalto.

Talvez sem merecer estará na boca do povo, com seu nome arduamente construído virando sinônimo de Maluf. Digo ao amigo que resolvemos experimentar o jeito petista de governar e estamos com saudades do salamargo.

O velhinho do Clavinote fica bravo e esperneia. Segundo ele, estou errado. Paciência!

Antonio Pedroso Júnior

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