Polícia

Feto é achado em caixa de sapatos

Da Redação
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Um feto de aproximadamente quatro meses foi encontrado ontem na rua São Sebastião, às margens da estrada de acesso à Val de Palmas, próximo à rodovia Bauru-Marília. O feto, do sexo masculino, estava dentro de uma caixa de sapatos forrada com alguns pedaços de pano. Patrícia Helena de Souza Ataliba, 26 anos, foi presa em flagrante acusada por crime de aborto.

O feto foi encontrado por volta das 11h, após uma denúncia anônima feita à Polícia Militar (PM). O denunciante dizia que uma moça, moradora do Núcleo Bauru 16, havia praticado um aborto e escondido o feto embaixo da cama. Na residência citada pelo denunciante, cujo endereço não foi divulgado porque é da mãe da acusada, os policiais nada localizaram.

Questionada sobre o aborto, Patrícia acabou confirmando o procedimento e levou os policiais até o local onde o feto estava, a estrada de Val de Palmas, próximo à rodovia Bauru-Marília. Ela relatou que, com o namorado, havia abandonado o feto em uma caixa de sapatos.

O feto foi apreendido e encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) para exame. A Polícia Civil quer saber se, quando ele foi expelido, ainda estava vivo. O delegado-adjunto do 1o Distrito Policial, Antônio de Pádua Pimenta Júnior, diz que a mulher confessou ter usado um remédio abortivo.

Para o delegado, que instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do aborto e os envolvidos no procedimento, o caso se encaixa no artigo 124 do Código Penal, que trata de provocar aborto em si mesma. “O crime prevê detenção de um a três anos e cabe fiança, que vai ser arbitrada em R$ 600,00”, explica. A moça foi encaminhada para a Maternidade Santa Isabel, onde foi submetida a exames.

Gravidez indesejada

A história de Patrícia não é diferente da de milhares de mulheres que não usam preservativo, anticoncepcional ou outro método contraceptivo e vivem o drama da gravidez indesejada. Ela contou que teve um relacionamento sexual com seu namorado e que decidiram pelo aborto. “Quando eu falei que estava grávida, ele sugeriu que eu tomasse um abortivo”, confessou.

Ela, que já tem um casal de filhos apesar de ser solteira e não ter condições financeiras para sustentar mais um, admite que concordou com a proposta. “Eu concordei porque não tenho como sustentar meus filhos. Moro com minha mãe”, disse. O namorado, segundo ela, comprou os comprimidos que ela tomou. “Eu tomei (anteontem) e ontem abortei. O feto ficou em casa e no período noturno eu trouxe para cá (local onde foi encontrado)”, completa.

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Sob investigação

A polícia vai apurar a participação do namorado de Patrícia Helena de Souza Ataliba, 26 anos, cujo nome não foi divulgado, na participação do aborto. De acordo com o delegado-adjunto do 1o Distrito Policial, Antônio de Pádua Pimenta Júnior, ele poderá figurar como co-autor do crime. “Mas ainda não há provas disso. Ele não foi preso porque não está em estado de fragrância”, explica.

Procurado pelo JC, o rapaz confirmou que sugeriu o aborto. “Eu sou divorciado e já tenho três filhos, pago pensão”, argumentou, dizendo que foi uma decisão de comum acordo. “Ela tomou o remédio, e ontem (quarta-feira) à noite apareceu com o feto em uma sacola plástica em casa. Nós colocamos ele numa caixa e abandonamos naquele local”, confessou.

A mãe da moça, Valdeci de Souza Ataliba, contou que estava viajando e que chegou quarta-feira à noite em sua casa. “Percebi que ela estava diferente. Hoje (ontem) a polícia apareceu em casa com a notícia do aborto. Ela não tinha dinheiro para comprar esse remédio. Deve ter sido o namorado dela que comprou”, apontou.

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