Ele foi um dos melhores atacantes da história do Noroeste. E não deu importância de ter entrado para a história do clube com um fato ocorrido há 46 anos. Trata-se de José Carlos Coelho, o Zé Carlos, 70 anos, natural de Batatais e autor do primeiro gol no Ubaldo Medeiros.
A inauguração do novo estádio, o “Gigante de Cimento Armado”, como era chamado, foi em 5 de julho de 1960 - menos de dois anos depois do incêndio que destruiu as arquibancadas de madeira do Alfredo de Castilho.
O amistoso entre Noroeste e Palmeiras foi o ponto alto da festa de inauguração, marcando época em Bauru. O Alvirrubro venceu por 3 a 2, diante de mais de 20 mil pessoas e Zé Carlos fez um golaço. Na revolução de 1964, o Ubaldo de Medeiros (era diretor da ferrovia, na época) voltou a ser chamado de Estádio Alfredo de Castilho.
No Campeonato Paulista de 60, o Noroeste foi o quinto colocado, com o seguinte time-base: Julião; Pedro e Geraldo; Romualdo, Gaspar e Gualberto (Bassu); Batista, Maneca (Toninho Guerreiro), Zé Carlos, Leal e Gélson. Mesmo sendo lançando no returno, se tornando titular absoluto, Toninho foi o artilheiro do Noroeste naquele Paulistão.
Zé Carlos, que veio da Portuguesa, onde desfrutava de muito prestigio, era um jogador completo - técnico, inteligente e goleador. Os passes que ele dava aos companheiros eram matemáticos. Dos inúmeros gols que marcou com a camisa noroestina, de 1960 a 67, 70% foram de cabeça.
Outro fato marcante, mas também minimizado por Zé Carlos, aconteceu no dia 15 de novembro de 1966, quando foram inaugurados os refletores do Alfredo de Castilho. O jogo foi novamente contra o Palmeiras e o Noroeste venceu por 2 a 1, gols de Cedir e Zé Carlos. Naquele ano, o Verdão sagrou-se campeão paulista e o Noroeste sofreu seu primeiro rebaixamento para a Segunda Divisão.
“Naquela época a gente não pensava em ser ídolo, entrar para a história e nem sonhava em jogar num time grande. Era um amor à camisa incomum, um profissionalismo na acepção da palavra”, diz Zé Carlos.
Além de Portuguesa e Noroeste, Zé Carlos foi jogador do Juventus. Encerrou a carreira no Garça, em 1970, onde iniciou a de treinador, em 71. Mas ainda atuou no BAC e lá também trabalhou no departamento de esportes. Zé Carlos é funcionário da Secretaria de Esportes do município desde 1995, e ensina futebol aos garotos de 6 a 16 anos. Atualmente, trabalha no Padilhão, estádio distrital da Vila Giunta.