Lençóis Paulista – Os dois principais suspeitos do duplo homicídio registrado na semana passada em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) estão presos. Segundo eles contaram para a polícia, os crimes foram cometidos por causa do dinheiro que uma das vítimas tinha guardado no banco.
O lavrador Alexandre dos Santos, 21 anos, foi quem supostamente planejou a morte do auxiliar de escritório Paulo Luiz Lima Casado, 26 anos. O acusado conhecia a vítima e sabia que ela guardava a senha da conta do banco junto com o cartão. A idéia, segundo José Aparecido Queiroz, 20 anos, um dos que foram presos anteontem, era matar Casado e repartir o dinheiro. Além de Santos e Queiroz, também fazia parte grupo um menor de idade.
Santos usou de sua amizade com Casado para levá-lo a um local deserto, próximo à linha férrea que passa pelo bairro Júlio Ferrari. Quando chegaram ao local, Santos passou a provocar Casado com o intuito de iniciar uma briga. Quando as agressões começaram, já estava previamente combinado que Queiroz e o menor iriam segurar braços e pernas de Casado para que Santos pudesse matá-lo estrangulado. Assim foi feito.
Porém, ainda segundo Queiroz, que foi preso anteontem, na seqüência, Santos teria desfeito o acordo inicial e disse que não iria dividir o dinheiro de Casado com ninguém. Revoltados, Queiroz e o menor passaram a agredir Santos com socos, chutes e pauladas. O lavrador tentou correr, mas foi alcançado pelos dois. Santos morreu e o corpo foi deixado a cerca de 20 metros de distância de onde estava o corpo de Casado. Na tentativa de esconder o corpo de Santos, a dupla colocou um saco de lixo preto por cima e mato.
Os crimes aconteceram na terça-feira da semana passada, à noite, e só foram descobertos no sábado seguinte, quando um maquinista parou para consertar um defeito na composição e viu o corpo de Casado às margens da linha férrea. A vítima foi deixada no local só de meias e cueca.
O corpo estava em avançado estado de decomposição, o que dificultou sua identificação. Só um exame do Instituto de Identificação da Polícia Civil de São Paulo conseguiu desvendar o mistério. A vítima era o auxiliar de escritório.
A partir daí, a polícia passou a trabalhar com a hipótese de que Casado teria sido assassinado por Santos, que também estava desaparecido desde a terça-feira da semana passada. No entanto, essa linha de investigação foi por terra anteontem, quando foi encontrado o corpo de Santos.
Embora, a decomposição estivesse ainda mais adiantada, em comparação a Casado, a identificação da vítima foi mais fácil por causa das roupas. Elas estavam intactas e foram reconhecidas pela namorada de Santos.
Festa
Foi com a ajuda da namorada da vítima que os policiais conseguiram descobrir os supostos culpados. Ela contou que um dia depois de Santos ter desaparecido, ela foi até a casa dele e encontrou apenas Queiroz e o menor no local, com as roupas da vítima e ouvindo som alto. Detalhe: Queiroz e o menor estavam morando “de favor” na casa de Santos. Além dos três, viviam ali o pai da vítima, Aparecido Paulo dos Santos, 61 anos, e o irmão Claudecir dos Santos, 31 anos. Outro detalhe: Queiroz é tio da namorada de Santos.
Assim que ficaram sabendo da “festa” na casa da vítima, os delegados Luiz Cláudio Massa e Marcos Jefferson da Silva chamaram os dois para conversar e acabaram confessando os crimes.
Queiroz, disse ontem à imprensa, que está arrependido do que fez. Ele confirmou a premeditação do assassinato de Casado e disse que Santos também morreu porque se negou a cumprir a promessa de dividir o dinheiro do auxiliar de escritório.
Casado tinha dois empregos. Durante o dia, trabalhava em um escritório de contabilidade. À noite, fazia entrega de lanches para uma lanchonete da cidade.
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No mesmo quarto
Pai de sete filhos, entre eles o lavrador Alexandre dos Santos, o aposentado Aparecido Paulo dos Santos, 61 anos, planeja mudar de residência e também do bairro. Depois de toda a confusão envolvendo seu filho, que acabou despertando a atenção da vizinhança, ele faz planos de ir morar na casa de uma filha, também em Lençóis Paulista.
Em conversa com a reportagem, ele contou que o filho e seus supostos assassinos dormiam todos em um mesmo quarto e nunca se desentenderam dentro da casa. Os “hóspedes”, segundo ele, chegaram há cerca de um mês e “de vez em quando” ajudavam nas despesas da casa.
“Seo” Aparecido chegou a Lençóis com os dois filhos no fim do ano passado. Vieram de Areiópolis, onde está a outra parte da família. Segundo a polícia, Alexandre tinha um perfil violento. Chegou até mesmo a agredir a própria mãe e a ameaçar os irmãos. A única passagem na polícia, no entanto, havia sido pela compra de uma carta de motorista falsa.