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Turismo e deficiência física estão em livro

Agência Sebrae
| Tempo de leitura: 4 min

A falta de acesso para portadores de deficiência física nas vias públicas, cinemas, boates, shopping centers e, especialmente, em hotéis e restaurantes, acabou transformando-se em tema de monografia. Por ocasião da conclusão de uma especialização em hotelaria, o consultor e coordenador de hospitalidade do Projeto Cepima na unidade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Piauí, Marcelo Correia percebeu que havia uma lacuna importante na bibliografia do setor de turismo sobre o tema e resolveu desenvolver o material, que acabou dando origem a um livro.

“Após minha graduação em turismo, presenciei a dificuldade de locomoção de turistas portadores de necessidades especiais em Fortaleza”, conta Marcelo. Daí surgiu, em 2002, o livro ‘Turismo para Portadores de Deficiência Física’, publicação que foi bem recebida pelo mercado. Uma segunda edição já está sendo preparada.

O livro aborda a legislação federal a respeito dos direitos dos portadores de necessidades especiais e também traz orientações sobre os procedimentos técnicos, que empresas e órgãos públicos devem adotar para atender a esse contingente de cidadãos.

O Brasil tem cerca de 18 milhões de portadores de necessidades especiais. São pessoas que possuem dificuldades de locomoção, mental, visual, controle motor e distúrbios causadores de impedimento à vida normal em sociedade.

O autor Marcelo Correia lembra que, apesar de serem considerados minoria, os portadores de necessidades especiais são consumidores e turistas. Após a graduação, o consultor passou a observar, não só a falta de acesso aos lugares públicos para essas pessoas especiais, como também, por exemplo, a ausência de cardápio em braile nos restaurantes, uma falha do mercado a ser corrigida.

“A falta de acesso para essas pessoas em locais públicos e no comércio inibe a sua participação no setor de turismo e no mercado em geral”, argumenta Marcelo. Essa falta de condições adequadas a esse consumidor gera prejuízos, afetando a economia, desde a arrecadação de impostos até o lucro das empresas, afirma o autor. Só no estado do Piauí, os portadores de necessidades especiais somam aproximadamente 500 mil pessoas, informa Marcelo.

A publicação aborda a Lei Federal nº 7.853, de 1989, que trata dos direitos dos portadores de necessidades especiais. Orientações sobre os procedimentos técnicos a serem adotados nas empresas e órgãos públicos para garantir o acesso a esse contingente de cidadãos, também constam do livro.

“São dicas sobre como promover as adaptações necessárias para atender a esse público, desde a planta dos estabelecimentos, de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, esclarece Marcelo.

A construção de rampas, a área do banheiro, a altura da pia e do vaso sanitário, o ângulo do espelho, a colocação de barra de apoio e cadeira no box, a ausência de degraus e obstáculos no quarto do hóspede portador de necessidades especiais, são algumas das dicas presentes no livro.

Nova edição

No momento, Marcelo Correia está preparando a segunda edição do livro, que trará mais orientações técnicas para as adaptações arquitetônicas. Segundo sua previsão, deverá ser lançada dentro de um ano. Arquitetos, engenheiros, estudantes de engenharia e arquitetura, empresários de hotéis, bares e restaurantes formam o público interessado no tema da publicação.

“Esse livro contribui para o setor de turismo, na medida em que promove a conscientização dos empresários em relação aos portadores de necessidades especiais”, diz Enéas Barros, coordenador do curso de Turismo e professor de Hotelaria e Gastronomia da Associação de Ensino Superior do Piauí (Aesp).

“Nem sempre empresários e arquitetos se preocupam em criar facilidades para o deficiente físico”, acrescenta. O professor ressalta que esse público é consumidor e, como não encontra facilidades no setor de turismo, ele se retrai e elege outras prioridades de consumo. Ele cita os Estados Unidos como exemplo em acessibilidade, pois lá portadores de deficiência física andam sozinhos, pegam ônibus e táxis e freqüentam todos os tipos de espaços urbanos.

A inclusão dos portadores de necessidades especiais no turismo, especialmente por iniciativas de hotéis e restaurantes, depende das adaptações a serem feitas pelos empresários.

“Infelizmente, os prédios antigos já estão comprometidos. Esperamos que os novos contenham instalações adequadas para esse público”, afirma Enéas. “É muito triste constatar que essas pessoas, cheias de vida e de disponibilidade para passeios e lazer, deixam de fazê-lo por falta de acesso”, conclui o professor e autor do prefácio do livro ‘Turismo para Portadores de Deficiência Física’.

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