Ser

Pós-modernismo

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

O surgimento de novas tribos, entre elas os emos, é resultado do contexto atual de pós-modernidade, aponta a socióloga e professora de psicologia social, Marilene Cabello Di Flora.

De acordo com ela, o momento provoca a desconstrução da própria razão, que, durante a Idade Moderna, era estratégica e considerada fonte de todo o conhecimento.

“A razão demonstrou que não conseguiu vencer todos os obstáculos e problemas humanos. Provou que não é 100% eficiente e esse momento pós-moderno seria um momento de volta a outro tipo de sociedade, mais romântica, que deixaria um pouco a razão e teria mais base na emoção e no sentimento” explica Di Flora.

Como não se mostrou eficiente, observa a socióloga, a partir do século 20 a razão passou a perder o status e a ser questionada, abrindo espaço para o reaparecimento de outros modelos. Entre eles o romântico, que “em função dos sentimentos pode ser identificado como veículo de alcance para uma vida melhor”, diz.

Segundo explica Di Flora, esse espaço dá vazão a um grande relativismo, ou o que os antropólogos chamam de multicultural. “Tudo é válido e possível. É um momento pluricultural, que desconstrói o que é total e dá oportunidade para o surgimento das diferenças”, explica.

“Se vivemos o momento da desconstrução da razão, ocorre o surgimento de outras linhas de pensamento. Há a possibilidade do aparecimento de diferentes tribos e grupos, que passam a explicar o mundo de outras formas”, aponta explica Di Flora.

É nesse contexto que diferentes tribos começam a proliferar, caso dos emos. Em geral, os grupos são formados por adolescentes e jovens, segmento da sociedade que está mais predisposto às novidades, destaca a socióloga. “A criança ainda não atingiu esse nível e os adultos estão tão comprometidos com outras coisas que não se importam”, detalha.

De acordo com a socióloga, o jovem é um “público” em potencial para a formação de novas tribos. Isso porque a juventude é uma fase da vida humana em que a pessoa se abre para o novo. “Em geral, nessa fase a pessoa não tem muitos compromissos profissionais ou papel social. Ela está mais livre e olhando longe”, diz.

Justamente por isso, os jovens começam a criticar e discutir alguns paradigmas. Vivem uma fase na qual os amigos e o grupo exercem influência e, além disso, têm à disposição inúmeros e diferentes caminhos. “É aí que mora o perigo”, alerta Di Flora. “Várias portas aparecem e a há a possibilidade de se engajar em movimentos nem sempre bons para a juventude”, diz.

Nesse contexto, o papel dos pais e educadores é de extrema importância na vida do jovem, destaca a socióloga. “É preciso se preocupar porque há uma abertura que pode ser utilizada para qualquer direção. Não adianta proibir, mas ficar atento, saber onde filho está para evitar que ele entre no caminho das drogas, fanatismo religioso ou até mesmo tribos de caráter político que discriminam outras pessoas.”

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