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Bandidos invadem quartel, batem em soldados e roubam armas no Rio

Folhapress
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Rio de Janeiro - Dez fuzis e uma pistola foram roubados na madrugada de ontem do Estabelecimento Central de Transportes do Exército, em São Cristóvão (zona norte do Rio). A corporação suspeita que a ação tenha a participação de militares e ex-cabos que já deram baixa. Segundo o Comando Militar do Leste (CML), representação do Exército no Rio, o quartel foi invadido por volta das 3h50 por sete homens armados, que usavam roupas camufladas da corporação e tocas ninjas.

A principal suspeita é que o roubo possa ter sido praticado por ex-militares que morariam no complexo de favelas do Alemão (zona norte). No final da tarde, o Exército, com o apoio da Polícia Militar (PM) e da Polícia Civil, fez uma operação na comunidade em busca de evidências. Até as 19h de ontem, a ação não havia sido encerrada. A reportagem apurou que, antes do Carnaval, o Exército distribuiu para todos os comandantes de batalhões no Rio um comunicado interno que alertava sobre ataques a quartéis, mas nenhum deles teria reforçado a segurança.

O CML confirmou a distribuição do comunicado sobre o alerta de invasões e explicou que isso é comum em épocas de feriados prolongados porque há um relaxamento na segurança. Negou, porém, que tivesse recebido informes sobre ataques. Não soube informar, no entanto, se houve reforço na segurança.

Os invasores entraram pela parte traseira da unidade e foram em direção ao alojamento do corpo dos guardas. No local, agrediram três militares, pegaram as chaves e foram em direção à sala de armas, onde arrombaram os armários e levaram os fuzis Fal calibre 762 e a pistola. Os invasores teriam efetuado disparos durante a ação. De acordo com o CML, os ladrões fugiram pela porta da frente do quartel, que fica na rua Monsenhor Manuel Gomes, e teriam deixado o local em um Palio.

Para o CML, tudo indica que traficantes de drogas tenham envolvimento. O quartel fica próximo de favelas como o complexo do Caju, a Barreira do Vasco e os morros da Mangueira e Tuiuti. Foram feitas incursões nestas favelas mas nada foi encontrado. O CML informou que, na hora da ação, pelo menos 11 guardas estavam no alojamento aguardando a troca de plantão e outros estavam na vigilância.

Em depoimento, um sentinela declarou ter visto a movimentação dos ladrões, mas não agiu porque pensou que fosse troca de plantão já que eles vestiam roupas semelhantes às do Exército. A corporação ainda não sabe como os invasores conseguiram entrar na unidade, que tem sistema de alarme eletrônico, câmeras e circuito interno de TV, além de arame farpado nos muros.

Todos os militares que estavam de plantão no quartel na hora do assalto estão sendo ouvidos. O Comando do Exército determinou a abertura de um inquérito policial militar para apurar os fatos e pediu também ao Ministério Público Militar que indicasse um promotor para acompanhar as investigações. As polícias Civil e Militar também auxiliam nos trabalhos.

Originário de 1767, o Estabelecimento Central de Transportes tem por missão efetuar o transporte de suprimento de todas as classes em proveito de todas as regiões militares, além de participar do embarque e desembarque de todo o material de forças de paz constituídas pelo Exército brasileiro.

Ataques a quartéis das Forças Armadas no Rio têm sido comuns nos últimos anos. O maior deles ocorreu em maio de 2004 quando foram roubados 22 fuzis, 1 pistola e 4 carregadores para fuzil do Depósito de Aeronáutica, na avenida Brasil, em Bonsucesso (zona norte). Em fevereiro de 2003, outra ação aconteceu na Estação de Rádio da Marinha, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense). Foram roubados na ocasião seis fuzis, duas pistolas, munição e coletes à prova de bala.

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