Cerveja gelada e um bom papo são garantias do tradicional Bar do Orlandão. O bom humor e a simplicidade do proprietário conferem o ar hospitaleiro do seu estabelecimento, localizado na quadra 15 da rua Marcondes Salgado. Há 25 anos – completados amanhã – o bar só ficou fechado dois dias por conta do falecimento do filho mais velho do dono. “Eu gosto de trabalhar. Todo dia, das 6h às 23h, eu fico lá. Dinheiro eu não consegui muito, mas amigos fiz de monte”, conta Orlando Cruz, mais conhecido como Orlandão.
O sonho da casa própria levou o então pedreiro a construir o bar. “Um dia eu fui à feira e joguei no bicho. Não é que eu ganhei? Eu queria era construir uma casa, mas o dinheiro só dava para abrir um boteco”, lembra. E foi assim que Orlandão foi ganhando a vida, garantindo o sustento dos dois filhos e de sua mulher, e proporcionando alegria aos clientes.
Um lugar tranqüilo, que as árvores deixam ainda mais aconchegante, onde amigos se reúnem e esticam a conversa, regada à cerveja gelada e simpatia. É nesse clima que Orlandão recebe pessoas de todos os cantos da cidade. “Aqui já passou de tudo, mas só ficou gente boa”. Dentre as inúmeras personalidades que já passaram pela redondeza, está o radialista Walter Netto, falecido no ano passado. “Ele terminava seu programa e vinha aqui todos os dias. Isso é que é triste, a gente vai ficando e os amigos vão embora”, lamenta.
O estabelecimento, que nunca passou por nenhuma reforma, mantém a clientela fixa, formada por advogados, delegados, jornalistas e aposentados. “A maioria que freqüenta é gente mais velha, que faz questão de passar aqui todos os dias. Até mesmo quando mudam de cidade, eles fazem questão de me visitar”, conta. A simpatia do proprietário atrai, inclusive, curiosos. “Um dia chegou um cara grandão aqui no bar querendo conhecer o Landão. Eu sou pequenininho, virei e disse: ‘o Landão já foi embora’”, diverte-se.
Com 80 anos e saúde de ferro, Orlandão nem pensa em parar de trabalhar. “Aqui é o meu lugar. Enquanto eu tiver forças, vou continuar”, almeja o proprietário, que já tem um destino certo para o local. “Quando eu morrer, meu filho vai tomar conta. Se depender de mim, o bar nunca vai fechar”.