Internacional

Bush quer que EUA aceitem concorrência

Folhapress
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Nova Délhi - Depois de assinar anteontem um acordo de cooperação nuclear com a Índia, o presidente George W. Bush, afirmou ontem que os EUA não devem temer a concorrência econômica daquele país e precisam encará-la como algo positivo. Bush discursou para um grupo de jovens empresários numa faculdade de administração de empresas em Hyderabad, no Sul da Índia.

Disse que é “doloroso” para um assalariado americano perder o emprego quando “a empresa para a qual trabalhava transfere suas operações para um país estrangeiro”. Mesmo assim, afirmou, “a globalização proporciona grandes oportunidades”. Afirmou também que “alguns acreditam que a resposta a esse problema seja o fechamento do mercado americano por meio de políticas protecionistas”, solução da qual Bush disse “firmemente” discordar.

Ele se referiu ao fato de, na economia globalizada, empresas americanas fecharem subsidiárias e romperem com antigos fornecedores internos para encomendar peças e serviços a outras empresas de países em desenvolvimento, a preços mais baixos. Se isso se traduz em prejuízos à mão-de-obra nos EUA, outras empresas americanas mais dinâmicas passam a vender para esses mercados emergentes.

Hyderabad é o centro dos investimentos em alta tecnologia na Índia. A cidade esteve no itinerário da visita em 2000 do então presidente, Bill Clinton. Para Bush, “nos EUA, a oportunidade mais nítida para os agricultores, empresários e proprietários de pequenas empresas está na compreensão de que, na Índia, há um mercado de 300 milhões de pessoas de classe média; se conseguirmos produzir o que eles desejam, as coisas se viabilizarão”.

Mas o clima em Hyderabad não era o de uma recepção festiva. Militantes comunistas e entidades islâmicas coordenaram um movimento de protesto contra a presença do presidente americano. Grupos muçulmanos saíram às ruas com cartazes com o rosto de Ossama Bin Laden e aos gritos de “Bush, vá embora!”.

Antes de embarcar rumo ao Paquistão, Bush voltou a Nova Délhi e fez novo discurso, no qual exortou “a parceria natural” dos EUA com o país visitado. Referiu-se ao acordo nuclear que assinara na véspera com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh. O acordo já é objeto de fortes objeções no Congresso americano.

Pelo documento, os EUA se comprometem a fornecer tecnologia e combustível para o programa nuclear civil indiano. Para tanto, a Índia separou claramente suas instalações nucleares para fins pacíficos (os 14 reatores a serem vistoriados por inspetores internacionais) daquelas em que há um programa militar em desenvolvimento. Indiretamente, afirmam os críticos de Bush, é como se os EUA tivessem reconhecido à Índia o direito de produzir bombas atômicas, como a que foi testada em 1998. A Índia não é signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

Impopularidade

Bush, registrou novos recordes de impopularidade com a deterioração da situação de segurança no Iraque. O número de americanos que pensam que os EUA perderão o conflito no país passou de 47% em dezembro para 52% nesta semana, segundo uma pesquisa do Gallup para a rede de TV CNN e o jornal “USA Today”. Bush teve seu governo desaprovado por 60% dos entrevistados, e 59% crêem que o presidente não consiga administrar o país efetivamente. Outros 58% afirmam que ele não presta atenção suficiente no próprio governo, e menos da metade - 47% - o consideram “honesto” e “confiável”. Dos 1.020 entrevistados, apenas 38% aprovam o governo de Bush- um ponto percentual a mais do que o recorde de baixa, registrado em novembro, e um abaixo da última medição, há três semanas.

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Protestos e mortes

Nova Délhi - Três pessoas morreram na cidade de Lucknow, no Norte da Índia, ontem durante manifestações contra a visita do presidente americano George W. Bush após tumulto entre manifestantes e comerciantes. Várias cidades indianas foram atingidas pelos protestos anti-Bush nesta semana. O líder americano deu início a uma visita de três dias ao país na quarta-feira.

O tumulto teve início em Lucknow depois que comerciantes de recusaram a fechar suas lojas no centro da cidade, após uma convocação de greve dos manifestantes, segundo a polícia. O conflito causou confrontos entre as duas partes e manifestantes atiraram pedras contra carros e atearam fogo em lojas. Segundo a polícia, tiros foram disparados para o ar para dispersar a multidão. A polícia negou que os tiros tenham atingido um homem que morreu.

Milhares de manifestantes comunistas, muçulmanos e camponeses também protestaram ontem contra a presença de Bush, na sede tecnológica de Hyderabad, no Sul da Índia. Cinco pessoas ficaram feridas em confrontos entre policiais e manifestantes durante o protesto, informou a polícia.

Ao fim de uma bem-sucedida greve geral convocada pelos principais partidos islâmicos paquistaneses em protesto contra sua visita, o presidente Bush chegou ontem à noite à Islamabad, sob um esquema de segurança inédito no Paquistão. O avião presidencial, o Air Force One, pousou com os faróis das asas apagados e sem que sua cauda estivesse iluminada. As cortinas a bordo estavam fechadas.

Não se sabe se Bush e sua comitiva seguiram de helicóptero ou em cortejo terrestre até a Embaixada dos Estados Unidos no Paquistão, onde Bush e a mulher passaram a noite.

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