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Lula: ‘governo não precisa saber tudo’

Por Pedro Dias Leite e Eduardo Scolese | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Ao falar ontem da participação da sociedade na elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o governo não precisa saber tudo, não precisa compreender tudo”. De acordo com o presidente Lula, em trecho improvisado de sua fala no Palácio do Planalto, o governo federal precisa somente captar corretamente as sugestões da população. “Vocês fizeram um gesto hoje. O governo não precisa saber tudo, não precisa compreender tudo.

O governo tem apenas de ter a sensibilidade para deixar que as pessoas digam ao País o que é melhor para o próprio País, é isso que acontece”, disse o presidente, em evento no qual lançou um plano que tem o objetivo de estabelecer as diretrizes para a gestão da água no País até 2020. Num contexto distinto, a declaração de ontem do presidente, na qual o governo federal ignora certos assuntos, remonta ao auge da crise do “mensalão”.

Na época, para se descolar das denúncias de corrupção e de crime eleitoral, Lula buscou dizer que não possui meios para saber de tudo o que se passa no PT e no Planalto. Para não admitir ao menos sua omissão, afirmou que foi “traído” e que havia levado uma “facada nas costas”. E na mesma fala, no evento de ontem, um dia depois de ter insinuado seu apoio à candidatura da ministra Marina Silva (Meio Ambiente) ao governo do Acre, o presidente Lula desconversou. Afirmou que ficou pasmo ao ler anteontem os jornais.

“Ontem eu terminei a minha fala elogiando a Marina e, pasmem, para a minha surpresa, alguém disse que era porque a Marina era candidata a governadora do Acre. Eu, se tivesse que elogiar a Marina para ela ser governadora do Acre, eu iria pro Acre elogiá-la, e não aqui em Brasília.” Já Marina descartou sua candidatura para disputar o governo. “Se eu fosse candidata, eu estaria com uma melancia na cabeça escrito “candidata’. Porque todo candidato quer mais é divulgar que é candidato”, afirmou. Em seguida ela foi questionada se sua declaração valia também para o presidente Lula. “Não, porque o presidente nem está falando que é candidato. Ele está dizendo que vai decidir depois.”

Juscelino

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se comparar ao antecessor Juscelino Kubitschek, que governou o país de 1956-1961. No almoço oferecido ao primeiro-ministro da República Tcheca, Jiri Paroubek, Lula fez várias menções a JK - protagonista da minissérie de mesmo nome que é exibida pela Globo.

O presidente afirmou que é precisa “garantir que os propósitos não se esgotem em discursos”. “Devemos seguir o exemplo de Juscelino Kubitschek, que soube transformar seus sonhos em conquistas e benefícios para o Brasil.” O discurso desenvolvimentista ocorreu logo depois de ser publicada a entrevista que Lula deu à revista britânica “The Economist”.

Na entrevista, Lula disse não tinha pressa “de fazer a economia decolar imediatamente”. Foi o primeiro comentário público do presidente sobre o crescimento do PIB do ano passado, que foi de 2,3% - abaixo das previsões governamentais. Ontem, ao almoçar com o primeiro-ministro da República Tcheca, Lula disse que queria “evocar as origens tchecas do grande estadista e fundador da capital brasileira”. Ele disse que o avô de Juscelino, Jan Kubitschek, “aqui aportou vindo da região de Trebon.

O Brasil que o senhor visita é muito diferente daquele que recebeu o avô do presidente Kubitschek.” Lula aproveitou para fazer um balanço dos avanços econômicos e sociais de seu governo. “Promovemos o crescimento econômico com justiça social. Retomamos o crescimento industrial e agrícola, duplicamos em três anos nossas exportações. Nos consolidamos como destino preferencial para investimentos estrangeiros, garantimos o equilíbrio fiscal e a estabilidade da moeda.”

No plano social, Lula disse que seu governo reduziu “a pobreza, o desemprego e a concentração de renda”. “Aumentamos os níveis de escolarização de nossas crianças e avançamos na implementação de políticas inovadoras de promoção dos direitos humanos, da igualdade racial e de gênero”, disse.

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