Dulce Marli Kernbeis, 50 anos, é referência hoje em Bauru por comandar a conceituada e bem-sucedida Editora Novo Mundo, que também já exporta seus produtos para Portugal.
A empresa é parceira da Editora Alto Astral, do astrólogo João Carlos de Almeida, o João Bidu. Dos mais de 100 títulos publicados pelo empresário, 15 são produções da Novo Mundo.
São 450 mil revistas por ano. Atualmente, o carro-chefe da empresa é o volume “Bordados em Pedraria”. Sua saída nas bancas é tão grande que, no último mês, 84% do volume total colocado à venda foi consumido.
A procura também é grande por revistas como “Dietas Populares”, “Seu Signo”, “Receitinhas da Vovó”, “Guia de Previsões”, “O Poder dos Sonhos”, “Sonhos Revelados”, “Ponto Cruz”, “Tortas Salgadas”, “Sexo sem Dúvidas”, entre outras.
De acordo com Dulce, o mercado já esteve melhor. Para a empresária, a queda do faturamento está diretamente ligada ao forte impacto econômico vivido pelo Brasil nos últimos tempos.
“A alta procura pela revista de pedrarias nos mostra duas vertentes. Economicamente falando, me entristece muito porque se as pessoas estão procurando em massa por esse volume, significa que a economia do País não vai bem. Por outro lado é um bom sinal porque estamos acertando a mão, mostrando nossa criatividade e a qualidade de nossos profissionais”, comenta.
A expectativa para os próximos anos, ressalta Dulce, é faturar R$ 100 mil ao mês, algo em torno de R$ 1,2 milhão por ano. Ela diz que esse objetivo poderá ser alcançado até o ano que vem por conta da edição de livros, que pretende começar a oferecer, e de um novo produto que planeja lançar no mercado em breve. São os cursos em vídeos. O leitor, além da revista, terá como apoio o recurso audiovisual com comentários passo-a-passo, sobre receitas, crochê, tricô e outros assuntos. Dessa forma, acredita a empresária, a editora poderá gerar mais postos de trabalho.
As revistas da Novo Mundo são produzidas por uma equipe de 18 profissionais, entre contratados e colaboradores, que atuam como redatores, revisores, ilustradores, administradores e culinaristas.
O começo
A Editora Novo Mundo foi fundada em Bauru no mês de abril de 2000. Dulce Kernbeis apostou nesse sonho, principalmente, por entender que ainda não havia no Interior do Estado de São Paulo uma revista preocupada em entender e, sobretudo, valorizar o seu leitor, que em sua maioria - mais de 90% - é feminino.
“As revistas no Brasil cuidam da emoção das pessoas. O problema pessoal está em primeiro lugar para qualquer um. Portanto, o que mais impera na gente são os problemas pessoais e, essa questão, as revistas tratam muito bem, obrigado”, explica a empresária.
Dulce acredita que os produtos da editora correspondem àquilo que o leitor sente. Também diz que eles oferecem ou sugerem a resposta que estão esperando, tática que foi descoberta pelos jornais, diz ela. “Todo jornal que se preze tem um caderno que explora esse filão de comportamento. Tudo, na verdade, começou com a Editora Alto Astral. Eu só expus a minha visão, uma outra ótica sobre esses assuntos”, completa.
A trajetória de Dulce no mercado de revistas de comportamento iniciou-se em maio de 1986, quando ela participou do segundo número da revista Guia Astral, até hoje o principal título da Editora de João Bidu. Prestou serviços à empresa até o segundo semestre de 1999, quando resolveu criar um produto seu, com a mesma linha de pensamento que desenvolvia na Guia Astral, porém, com visão própria e linguagem diferenciada.
Assim foi proposta a Novo Mundo. Uma revista popular, que, para estranheza de muita gente, passou a concorrer de forma salutar, como a própria Dulce define, com a Editora Alto Astral. Mais do que isso, os volumes passaram a ser publicados pela empresa de João Bidu.
“Isso ocorreu porque nada é unânime, graças a Deus. O sol nasceu para todos e, para eu ganhar, você não precisa perder, exceto no esporte. Até hoje é uma concorrência salutar, que abre novos espaços para uma outra visão, para uma astrologia do jeito popular e diferente da do João Bidu”, observa.
Dulce é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e, antes mesmo de atuar no ramo de revistas, passou por empresas jornalísticas renomadas. Entre 1984 e 1986 assumiu o posto de repórter no Jornal da Cidade. Cobria as editorias de Geral, Cultura e até Esportes, lembra ela. De 1986 a 1990 atuou como assistente de chefia na Rede Globo, também em Bauru. Foi jogadora de basquete pelo Bauru Tênis Clube (BTC) por dez anos, inclusive enfrentando as estrelas Hortência e Paula, que defenderam a Seleção Brasileira.