Deus. O tema é infinito, mas existem no Brasil 79 faculdades credenciadas pelo Ministério da Educação (MEC) dedicadas a discuti-lo. O mercado de trabalho para estudantes de teologia é um pouco diferente: eles podem ser de professores a líderes religiosos. Geralmente, as faculdades são ligadas a uma fé específica.
“Nenhum curso dá conta de todas as religiões. O curso acaba sendo capacitador para uma religião”, diz o coordenador do curso de teologia da Universidade Metodista de São Paulo, Paulo Roberto Garcia.
Mesmo assim, segundo o professor e pastor, algumas matérias são comuns em cursos de teologia cristã: Bíblia, exegese (técnica de interpretação de textos antigos), história (aborda o cristianismo e movimentos religiosos), teologia sistemática (estuda, por exemplo, o que se pensa do Espírito Santo, de Cristo, da igreja etc), correntes teológicas, teologia da confissão de fé e teologia prática (debate o cotidiano, com técnicas de aconselhamento, pregação, promoção humana etc.).
De acordo com Garcia, “grande parte das pessoas que fazem teologia tem por finalidade a condução de uma igreja já como pastor ou padre”. Mas o teólogo também pode ser professor, líder de ministérios específicos ou organismos ecumênicos.
Diferentes oportunidades também podem aparecer. Jefferson Ramalho, 27 anos, relações-públicas do selo teológico Vida Acadêmica, da Editora Vida, e teólogo formado pelo Mackenzie, é um exemplo. “Foi por meio do curso que tive a oportunidade de trabalhar na editora. O curso ajudou bastante por já conhecer professores, faculdades e obras. Se tivesse formação em relações públicas, teria que gastar muito tempo estudando isso.”
Membro da Igreja Presbiteriana, ele já dava aulas antes da faculdade e quis buscar um conhecimento mais profundo. “Eu estava limitado no que falava, no que ensinava. Não tinha curso, era autodidata. A partir daí surgiu o interesse em estudar”, afirma ele, que pretende fazer mestrado e doutorado.
“Tenho a pretensão pessoal de ser pastor, mas isso não tem nada a ver com a minha pretensão acadêmica. O curso não prepara pastores, prepara teólogos”, diz. Para falar sobre trabalho, ele compara: “É igual filosofia; existe mercado? O curso não pretende formar um profissional; o teólogo é como um pesquisador”.
O estudante César Augusto Sitta, 24, que está no quarto ano de teologia na Metodista, já entrou determinado na faculdade. “A teologia para mim é o caminho para me tornar pastor”, diz. Os caminhos que o levaram a essa decisão não foram simples. “Antes eu queria ser jogador de futebol, mas encontrei uma coisa que me realizava mais: sendo pastor e ajudando as pessoas”, conta.
Dos 14 aos 17 anos, César se envolveu com drogas - até que sofreu um acidente que mudou sua história. Estava tirando racha, entrou na contramão e bateu de frente em outro veículo. Quase morreu. “Aí pensei melhor na vida. Resolvi procurar a igreja para achar um sentido.”
Diversidade
Existem no Brasil faculdades dos mais diversos credos. Católicos, protestantes históricos, pentecostais e religiões não-cristãs. Mas se a maioria dos cursos no País é cristã, a diversidade cultural e religiosa brasileira também tem seu lugar na Faculdade de Teologia Umbandista, criada em 2003 e credenciada pelo MEC.
Com uma grade curricular diferente, a faculdade tem como foco principal a teologia umbandista e a área de humanas, essa última com disciplinas como filosofia, sociologia, ciências políticas, ética e sistemas religiosos. De acordo com o diretor acadêmico, Roger Soares, alguns temas são constantes no decorrer do curso: espiritualidade, pluralidade cultural, diversidade, cultura de paz e inclusão. Quem procura o estudo da religião sob um prisma mais sociológico também pode optar por cursos de pós-graduação em ciências da religião.