Sexto time a conquistar uma vaga nas quartas-de-final da Copa Febem 2006, o time bauruense enfrenta a equipe da Unidade de Internação de Itaquaquecetuba, no Alfredo de Castilho, em partida preliminar do jogo entre Noroeste e Guarani, hoje, às 16h. O time de Bauru vem de uma vitória, por pênaltis, por 4 a 2, sobre a equipe de Araraquara. A partida realizada na AABB de Bauru terminou em 5 a 5 no tempo regulamentar.
Driblando todas as dificuldades (que não são poucas), os meninos da Unidade de Internação de Bauru lutam para chegar à semifinal da competição, que visa estimular o processo de ressocialização destes internos, utilizando-se de respeito, disciplina e união.
Para um dos craques de Bauru, de 17 anos, o objetivo maior é outro: “O mais importante nesse campeonato é mostrar à sociedade que nós podemos nos recuperar e ser alguém na vida”, revela.
Diferentemente das demais Unidades de Internação, o maior obstáculo encontrado pelos meninos da Febem de Bauru é o preconceito de parte da iniciativa privada. O campeonato é realizado em campo oficial e dentro da Unidade de Internação de Bauru existe apenas uma quadra poliesportiva para os atletas treinarem. Aí é que mora o problema. A direção da entidade fica de mãos atadas, pois não consegue um campo emprestado para que os meninos possam treinar alguns dias da semana.
Até meados do campeonato, que teve início em janeiro último, a Associação Atlética Banco do Brasil sediava um campo para os meninos treinarem, mas depois da notícia divulgada pela imprensa, onde citava o fato, a parceria foi rompida porque alguns associados ficaram incomodados em saber que internos da Febem treinavam futebol no campo do clube.
A diretoria da Unidade de Bauru buscou outras alternativas, em vão. Durante a última partida, alguns dos meninos chegavam a ter cãibras por não ter o costume de correr em campo oficial.
Apesar do problema, os meninos demonstram muita vontade de fazer bonito na competição. “Jogar um campeonato de futebol é uma oportunidade de mudar de vida, esquecer o passado e jogar bem para, quem sabe, um olheiro de um time grande notar nosso futebol na partida de amanhã (hoje)”, conta o ponta-direita da equipe, 18 anos, sãopaulino roxo, que sonha em ser jogador profissional do time do coração.
O time de Bauru é treinado por Arestides Modesto Orlandi, seo Modesto, como é conhecido dentro da unidade. Modesto foi jogador do Noroeste na década de 70 e hoje ensina o ofício de boleiro para os meninos de Bauru.
Questionados sobre qual o ídolo no futebol, os meninos surpreendem a quem esperava ouvir Ronaldinho, Robinho ou Pelé; e com unanimidade respondem: “seo Modesto”, em coro. “Ele é como um pai para nós aqui dentro. Nos dá todo apoio que precisamos para poder seguir em frente”, completa o ponta-direita.
Para o vice-presidente da Febem do Estado de São Paulo, Mansueto Henrique Lunardi, a Copinha tem grande importância para a ressocialização desses meninos, mas esbarra no preconceito. “Uma disputa como a da Copa Febem eleva a estima dos garotos. Mas lamentamos o pré-julgamento de alguns. Se está difícil achar um campo para os meninos de Bauru treinar, imagine a dificuldade para ressocializá-los”, afirmou.
Em respeito ao Estatuto do Menor e do Adolescente, o JC preservou os nomes dos craques da Febem.