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Ovo de Páscoa está até 10% mais caro

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 5 min

Comer chocolate nesta Páscoa vai ficar mais caro para o bolso do consumidor. De acordo com as redes supermercadistas de Bauru, o reajuste dos ovos chega até a 10% em comparação ao ano passado.

O produto já pode ser encontrado nos estabelecimentos comerciais, sob todos os tamanhos, formas e, inclusive, para todos os gostos. E o consumidor já está correspondendo. A adolescente Grazieli Têndolo, 16 anos, já fez a opção pelo seu. Na semana passada estava em um supermercado, ao lado da mãe, escolhendo qual levaria. “Vou ficar com um de chocolate ao leite. Está um pouco caro, mas como sou filha única, fica mais fácil para eles atenderem à minha vontade”, comenta.

Para o economista Carlos Sette, a alta do produto é conseqüência do reajuste da matéria-prima de composição do chocolate, como o açúcar, que subiu cerca de 30% em janeiro, e até mesmo o cacau, que tem sido muito exportado ultimamente.

Outro fator apontado por ele é o aumento do custo de bens de consumo, como a energia elétrica. “Acredito que neste ano não haverá um boom de vendas, o consumo será muito parecido com o de 2005. Mas o aumento dos preços ocorreram, basicamente, por conta do alto custo das matérias-primas e insumos de forma geral”, explica o economista.

Segundo ele, a alternativa para o consumidor não gastar demais nesta Páscoa é pechinchar e pechinchar. Sette recomenda que as pessoas optem por tamanhos menores de ovos e também procurarem marcas mais baratas.

De acordo com o gerente de compras de uma rede supermercadista de Bauru, Paulo Sanches, a empresa vai disponibilizar 60 mil ovos de chocolate aos clientes, 20% a mais que no ano passado.

Segundo ele, para vender mais as empresas estão adaptando a fabricação de seus ovos ao poder de compra do consumidor. Oferecem um produto maior, porém, com espessura mais fina.

“Em 2005 vendemos quase a totalidade dos ovos disponíveis. Apenas 3% ficaram nos estoques. A expectativa neste ano é que as lojas vendam da mesma maneira que venderam no ano passado”, comenta Sanches. As quatro lojas do grupo em Bauru devem fazer 35 contratações para o período.

Em outra rede de supermercados, a expectativa de vendas é de 15% superior à Páscoa do ano passado. Neste ano, a rede está lançando duas barras de chocolate importadas, com recheio nos sabores trufado, menta, laranja e coco, além do ovo de chocolate ao leite de 120 gramas, que vem com brinquedo.

“A Páscoa é o segundo maior evento do ano para o varejo no segmento de alimentos, principalmente em bomboniere, por isso nos preparamos com antecedência. Nossa intenção é surpreender e exceder à expectativa dos clientes”, diz o diretor comercial de alimentos José Rafael Vasquez.

Outra rede consultada informa que a expectativa para a Páscoa deste ano é de vender cerca de 20% a mais sobre o mesmo período do ano passado. Para driblar a alta de preços do produto típico da Páscoa, o grupo lançou a linha “Escolha Econômica”, com opções de ovos a partir de R$ 1,99 (100 gramas). A marca própria da empresa oferece produtos exclusivos. A rede espera vender este ano 3,5 mil toneladas de ovos de chocolate.

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Alternativa caseira

Rogério Neves, dono de uma loja especializada em produtos para confecção de ovos em Bauru, espera comercializar até a Páscoa 30 toneladas de chocolate, o equivalente a 40% do que vende o ano todo.

Ele aponta que a expectativa de vendas para o período é de crescimento de 15% em relação a 2005, já que o mercado informal da produção caseira de chocolates tem aumentado consideravelmente nos últimos meses. Quanto ao preço dos produtos, Neves revela que o consumidor perceberá um reajuste de até 10%, principalmente por conta da alta do açúcar, que ocorreu ainda em janeiro.

Apesar desse acréscimo, o empresário afirma que os ovos caseiros estarão 40% mais baratos que os industrializados. E, para quem os comercializa, será possível obter até 50% de lucratividade. A maior procura da clientela, garante ele, é por barras de chocolate, embalagens e fôrmas para ovos e bombons.

Uma alternativa para quem deseja gastar menos nesta Páscoa, destaca Neves, são os ovos hidrogenados. São mais baratos que os demais por serem produzidos com mais gordura e menos cacau.

“A grande vantagem do ovo caseiro é a possibilidade que o cliente tem de encomendá-lo da maneira que quiser. É ele quem define o tamanho, o recheio, a forma. O mercado informal oferece ovos com brinquedos, ovos mesclados, que conquistam o consumidor”, comenta Neves.

O empresário ainda disse que dez dias antes da Páscoa, costuma faltar produtos em seu estabelecimento por conta da grande procura.

A culinarista Ieda Vieira Gonçalves produz ovos de chocolate para venda há 12 anos e também ensina pessoas a confeccionar o produto. Sua expectativa para o período é lucrar R$ 1.800,00, já que espera fabricar cerca de 400 ovos, utilizando uma média de 200 quilos de chocolate.

“As encomendas não param de chegar e, pelo jeito, acho que as vendas serão bem melhores que as do ano passado. Fora as empresas que atendo, tenho mais de 30 encomendas para entregar até a Páscoa”, conta Gonçalves, entusiasmada.

Sobre os preços dos produtos, a culinarista não soube precisar o quanto poderão estar mais caros em relação a 2005, porém espera um aumento significativo.

Gonçalves também frisou que a maioria das pessoas que a procura para aprender a confeccionar ovos de chocolate tem o objetivo de obter uma renda extra durante o período que antecede a Páscoa.

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