São Paulo - Depois de um retiro de uma semana em Buenos Aires, onde se isolou para refletir sobre sua eventual candidatura à Presidência, o prefeito paulistano, José Serra (PSDB), voltou anteontem a São Paulo. Mas frustrou quem esperava uma resposta sobre sua disposição eleitoral. À noite, em visita ao sambódromo, ele posou para fotografias, comeu pizza e tomou cerveja, conversou com aliados políticos e até deu uma desajeitada sambadinha. Mas nada falou sobre a eleição.
Aos repórteres que o abordaram no camarote reservado à prefeitura, disse que aproveitou o feriado de Carnaval para descansar na capital Argentina e que, no dia seguinte, conversaria com a imprensa. Ele teria dois eventos públicos programados ontem. Um deles, a implantação do bilhete único integrado entre ônibus e metrô, deveria ser em conjunto com o governador tucano Geraldo Alckmin, com quem trava uma disputa de bastidores para decidir quem será o candidato do PSDB à sucessão presidencial neste ano.
Apesar de Serra não ter falado diretamente sobre eleição, seu discurso durante a entrega dos troféus às escolas de samba campeãs do Carnaval foi interpretado por assessores e políticos tucanos presentes ao evento como “dúbio”. O prefeito disse: “Meus parabéns aos que ganharam, e aos que não ganharam, também. Porque a disputa só é feita porque tem quem ganha e quem não ganha. E aqueles que não ganharam contribuíram para a qualidade geral do nosso espetáculo.”
Para esses assessores, Serra poderia estar se referindo, com certa dose de ironia, ao governador paulista, que já se declarou pré-candidato. O prefeito, por sua vez, ainda não assumiu em público que deseja disputar a eleição. Avalia os riscos de deixar o comando da cidade nas mãos do vice, Gilberto Kassab (PFL), após apenas 15 meses de governo e também suas reais chances de competir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - que voltou a subir nas pesquisas e, hoje, ganharia de Serra e de Alckmin.