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100 mil podem ficar sem água no RJ

Folhapress
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Rio de Janeiro - O vazamento de lama resultante do rompimento de uma barragem da empresa Rio Pomba Mineração, em Miraí, Minas Gerais, atingiu anteontem Itaperuna (356 km do Rio), no noroeste do Estado do Rio, pelo rio Muriaé e pode deixar 100 mil sem água.

De acordo com a Defesa Civil do Estado, a parte mais densa da mancha já tem 70 quilômetros. “O índice de turbidez (que indica o número de partículas sólidas presentes na água) voltou a aumentar. Por isso podemos suspender o abastecimento de água de Itaperuna a qualquer momento”, explica o secretário de Defesa Civil, coronel Carlos Alberto de Carvalho.

Além de Itaperuna, os municípios de Italva, Cardoso Moreira e São João da Barra também devem ser afetados pelo problema, uma vez que a mancha tem de passar por eles antes de desaguar no Atlântico. “Ainda não estamos pensando nas outras cidades porque se tivermos de suspender o abastecimento em Itaperuna, cerca de 100 mil pessoas vão ficar sem água. Vai ser o caos”, afirma Carvalho.

Apesar de ser formada por argila misturada com óxido de alumínio e sulfato de ferro, a mancha não é tóxica. No entanto, ao atingir o rio tornou impróprio o uso de suas águas, esclarece o coronel Carvalho. “Caíram no rio 400 mil metros cúbicos de lama. O local parece um pântano vermelho”, diz o secretário de Defesa Civil.

Além do problema de abastecimento de água, Carvalho alerta ainda para o risco de novas chuvas na área onde ocorreu o vazamento. “Entre a represa e o rio Muriaé, há sete quilômetros de lama estagnada. Se chover novamente, esse material vai voltar a cair no rio. É necessário construir novas barragens”, diz.

O secretário de Defesa Civil critica a postura da empresa Mineração Rio Pomba que, segundo ele, nada fez para minimizar os efeitos do acidente. A Rio Pomba Mineração, no entanto, alega que dará início às medidas de contenção do problema nesta semana, atendendo a pedidos da Secretaria de Meio Ambiente de Minas.

Segundo Luiz Antônio Vieira Vilane, que presta assessoria à empresa, técnicos já estiveram nas áreas afetadas e, assim como Vilane, acreditam que a situação não é alarmante. “A argila contém sulfato de alumínio, usado no tratamento de água. Não é uma substância tóxica”, defende.

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