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Série Grandes Tenistas de Bauru: Celso Sacomandi: 7 títulos brasileiros

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 4 min

Celso Sacomandi começou a jogar tênis por intermédio do pai, o professor Cláudio Sacomandi, no Bauru Tênis Clube (BTC). Celso seguiu os passos do pai, foi campeão brasileiro pela primeira vez em 1971 e, a partir daí, sua carreira de tenista deslanchou. Celso tornou-se unanimidade no Brasil, foi campeão brasileiro durante sete anos seguidos e passou a adolescência viajando pela Europa.

Aos 23, abandonou as competições, mas nunca deixou a raquete de lado. O colunista do Jornal da Cidade é professor de tênis no BTC e técnico da equipe bauruense de tênis, que representa a cidade nos jogos Regionais e Abertos do Interior.

JC – Com que idade você começou a se destacar?

Celso Sacomandi – Com 10 anos, tive alguns bons resultados, mas com 11 anos ganhei meu primeiro torneio. Fui campeão brasileiro em Joinvile.

JC – E depois disso?

Celso – A partir daí, ganhei todos os Campeonatos Brasileiros que disputei durante sete anos seguidos. Isso até os 18 anos. Quando eu tinha 16 anos, eu estava entre os 10 melhores juvenis do mundo.

JC – Quais outros títulos você considera importante na carreira?

Celso – Enquanto isso, eu ganhei duas vezes o Banana Bowl, em 72 e 75. Fui campeão Sul-Americano. Fui duas vezes campeão do Orange Bowl. Fui campeão Mundial por equipes, ao lado de Cássio Motta. Enquanto juvenil, eu cheguei a passar um ano sem perder um set para ninguém, em 74.

JC – Então você chegou a ser uma promessa do tênis brasileiro?

Celso – Sim, como dificilmente eu perdia uma partida, a pressão sobre mim começou a aumentar. Eu era muito novo e chegou uma época em que eu não podia mais perder. Isso começou a me prejudicar. Quando cheguei aos 19 anos, meu jogo começou a estacionar. Aí comecei a jogar profissionalmente e cheguei a perder seis torneios na primeira rodada. Aquilo me fazia mal, porque eu não estava acostumado a perder e cada vez eu ficava mais sem confiança.

JC – A partir daí, o que você fez para reverter essa situação?

Celso – Como meu jogo já não desenvolvia mais, eu optei por parar. Eu não consegui ver uma maneira de sair dessa situação. Parei de jogar com 23 anos. Eu pensava que se fosse para ser apenas mais um na tabela de um torneio, eu preferia parar.

JC – Quais torneios importantes você disputou?

Celso – Eu cheguei a ficar mais de seis meses na Europa participando de torneios por lá. Joguei Roland Garros, o qualifying de Wimbledon, o US Open, joguei em Roma, entre outros.

JC – Nesses torneios, qual seu melhor resultado?

Celso – Cheguei nas quartas-de-final de Roland Garros e de Wimbledon.

JC – Era difícil conseguir patrocínio para viajar?

Celso – Eu tive um patrocínio de um empresário bauruense. Mas quando viajava para a Europa, ia para ficar no mínimo quatro meses, porque era muito cara a passagem para lá.

JC – Qual um fato curioso você passou jogando tênis?

Celso – Uma vez eu joguei o Orange Bowl com 12 anos. Fui sozinho para Miami. Chegando ao aeroporto de manhã, fui direto para o clube, joguei, ganhei e na volta peguei uma carona com o pai de um peruano que tinha jogado comigo. Antes de sair, fui perguntar para a organização do torneio que horas seria meu jogo no dia seguinte. Era 24 de dezembro de 1972. A organização disse que não haveria jogo no dia 25, porque era Natal. Fui vítima de uma trapaça, no dia 25 fui bater uma bola no clube e soube que meu jogo já tinha acontecido e eu tinha perdido de WO.

JC – O que você acha do tênis atual?

Celso – A Confederação Brasileira de Tênis perdeu a oportunidade de construir um grande centro de treinamento de tenistas. Digo perdeu a oportunidade, porque quando o Guga estava no auge era mais fácil de conseguir um patrocínio para esse tipo de investimento.

JC – O que você recomenda para seus alunos que estão despontando?

Celso – Eu recomendo que eles treinem muito e participem de torneios de grande porte. Sempre os oriento a começarem o mais cedo possível a jogar torneios adultos, porque é assim que vão conseguir experiência.

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