Polícia

Para se defender, tenente chegou a agarrar um pit bull pela língua

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Com várias marcas pelo rosto e braços e com as pernas enfaixadas, o tenente da Polícia Militar aposentado Irani Antonio Soares, 63 anos, que foi atacado por dois cães pit bull na sexta-feira passada, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Beneficência Portuguesa ontem de manhã. Parcialmente recuperado, ele contou como foi o ataque. Para defender-se dos cães, chegou a agarrar a língua de um deles.

Depois do risco de morte que correu, garantiu que vai à Justiça fazer valer seus direitos. “Eu não quero mais aqueles cachorros por lá. Os chacreiros do condomínio estão revoltados. Não é a primeira vez que eles fogem. O pit bull já atacou uma vaca, pessoas e dizem até que chegou a morder a filha da caseira”, comenta.

Soares ressalta que todos os amigos dele estão revoltados. “Eu quero justiça. Esses cachorros aparentam ser dóceis, mas não são. Eles atacam até o dono. Eu já fiz três cirurgias e vou ser submetido a mais duas”, ressaltou. Um dos amigos do tenente disse para ele que vai procurar a delegacia hoje para testemunhar no caso. “Ele tem chácara lá e disse que vai testemunhar porque o cachorro vive fugindo e fazendo estragos”, diz.

O tenente lembra que embora do dono do cão tenha dito que vai dar toda assistência a ele, isso ainda não se concretizou. “Até agora não está dando assistência. Além disso, ele tem que garantir a solução definitiva”, disse.

Dentre todos os ferimentos sofridos pelo tenente, ele ressalta um corte no pescoço, próximo à veia jugular. “Por pouco ele (o pit bull) não me mata. Meu pé teve que ser reconstruído, assim como meu nariz”, afirma.

Com lágrimas nos olhos, ele lembra que estava na casa das máquinas, próximo à piscina, quando percebeu a chegada dos cães. “Eu vi um vulto, olhei para trás e vi a cabeça dos cachorros quase dentro da casinha. Eu pensei em fechar a porta, mas não dava, eles já estavam com a cabeça para dentro. Pensei em empurrá-los, mas eles são dois leões”, afirma.

Sem outra alternativa, Soares conta que ergueu o braço. “Fiquei esperando o ataque. Eles rosnaram e avançaram sobre mim. Eu não tinha nada na mão. O primeiro a atacar foi o macho, depois a fêmea. Me puxaram para fora, quando ele abocanhou um braço e a cadela, outro. Eu pensei que era o meu fim”, disse.

Para se defender, Soares afirma que usou as mãos. “ A cachorra largou do braço e começou a morder meu pé. Quando o cão abriu a boca, eu enfiei a mão na garganta dele. Ele engasgou. Meu braço estava dilacerado e sangrava muito”, relata.

O tenente conseguiu voltar para a casa de máquinas e fechou a porta. “O cachorro saiu e deu uma volta. Bati com o pé na cara da cachorra com pouca força, ela ficou zonza. Eu consegui fechar a porta e caí dentro da casinha”, conta. Embora perdendo muito sangue, Soares ficou ouvindo o barulho dos cães para escolher o momento de sair da casa das máquinas. “Ouvi que eles estavam ofegantes. Quando parou o barulho, saí e tive de abrir a casa. Caí e fui me arrastando até o telefone e pedi socorro”, completa.

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