Ramallah - O Parlamento palestino, reunido ontem pela primeira vez sob o controle do partido islâmico e grupo terrorista Hamas, revogou dispositivo aprovado no mês passado que dava ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, poderes para nomear magistrados. A decisão significa um desafio a Abbas, cujo partido, o Fatah, foi derrotado pelo grupo islâmico nas legislativas de 25 de janeiro.
Tayeb Abdel Rahim, um dos dirigentes do Fatah, acusou o Hamas de procurar depor Abbas por meio de um golpe branco. “Reagimos à decisão agora tomada como uma tentativa de mudança no regime político palestino e acreditamos que o Hamas deverá reconsiderá-la”, disse ele.
O Parlamento havia votado a ampliação dos poderes de Abbas na última sessão da legislatura anterior, como forma de criar mecanismos de equilíbrio à predominância dos islâmicos. Pelo projeto então aprovado, o presidente da ANP poderia indicar juízes para a Corte Constitucional, sem a aprovação dos deputados. Na época, assessores de Abbas disseram que, por meio da manobra, a Corte Constitucional seria instituída com a predominância laica de seus integrantes. Com o poder de vetar projetos votados no Legislativo, ela impediria a possível tentativa do Hamas de substituir a atual legislação civil e penal pela lei islâmica.
Diante da certeza de que seriam derrotados em plenário, onde o Hamas tem 74 das 132 cadeiras, a bancada do Fatah retirou seus deputados. O líder do Fatah, Azzam al Ahmad, disse que seu partido só voltaria aos trabalhos parlamentares quando essas divergências estivessem solucionadas.
No Canadá, onde se encontra em visita, o chanceler russo, Serguey Lavrov, afirmou que o Hamas “não excluiu a possibilidade” de retomar as negociações de paz com Israel, com base no plano proposto pelos EUA e apoiado pela ONU, pela Rússia e pela União Européia. As afirmações de Lavrov se contrapõem ao sectarismo das declarações do Hamas, ao concluir há dias visita a Moscou.