Desde o início desta semana, as Secretarias de Saúde das cidades da região passaram a incluir a vacina contra o rotavírus no calendário de vacinação, conforme determinação do Ministério da Saúde.
O governo federal enviou o primeiro lote do produto aos Estados, totalizando cerca de 540 mil doses. Serão aplicadas duas doses da vacina em crianças recém-nascidas: uma aos 2 meses de idade e outra aos 4 meses. A dose será aplicada junto com as demais vacinas previstas no calendário básico de vacinação infantil do Ministério da Saúde.
Em Lençóis Paulista, segundo a coordenadora de saúde comunitária, Cristina Consomagno Baptistela, o primeiro dia de vacinação surpreendeu com o comparecimento de 20 crianças.
A coordenadora estima que o município precisará de 80 a 100 doses da vacina por mês. “Recebemos doses suficientes para um mês. Eles mandam (as doses) estimando para aquilo que a gente vai usar. Vem a grade para um mês, mas se acaso a gente tem uma demanda maior nós temos a possibilidade de conseguir mais. Nós estamos imaginando que para conseguir cobrir (a demanda) vamos precisar pelo menos de 80 a 100 doses”, estima Baptistela.
A quantidade de doses da vacina enviada pela Secretaria de Estado da Saúde aos municípios é determinada de acordo com dados fornecidos pela própria cidade, que inclui o número de nascimentos de crianças no município.
“Na verdade quem fez o planejamento foi a Secretaria de Estado da Saúde. Eles deram uma quantia (de vacinas) até para saber de quanto vai ser o nosso consumo mensal. Tem a ver mais com o número de nascimentos de cada cidade”, conta Mara Silvia Carmello, enfermeira da Vigilância Epidemiológica de Botucatu.
De acordo com ela, a cidade, que inicialmente recebeu 400 doses da vacina, já teve surtos de rotavírus. “Não tivemos nenhum óbito, mas tivemos hospitalizações. Menores de 2 anos é uma faixa-etária em que a criança tem mais complicações e corre mais riscos. Por isso é que a gente vai dar (a vacina) aos 2 e aos 4 meses, que é a fase mais crítica”, explica.
Cristina conta que em Lençóis Paulista o último caso registrado de morte por rotavírus foi há cerca de quatro anos. “Deve estar fazendo uns quatro anos que teve um caso que parecia ser uma diarréia viral e a criança veio a óbito por desidratação. A gente sabe que tem casos de rotavírus. Todo ano nós estamos tendo casos de diarréia. Muitos (casos) a gente acredita que sejam realmente virais”, relata.
Em Pederneiras, segundo Cássia Regina Borges, auxiliar do setor de doenças epidemiológicas, foram entregues 55 doses da vacina.
A expectativa, no entanto, é que o número de crianças a serem vacinadas seja maior. “Como é uma vacina nova a gente está esperando para ver como vai ser a demanda de crianças. Mas essa não seria a cota para um mês porque a gente tem mais de 55 crianças para serem vacinadas. Conforme a gente precisar, estaremos pedindo mais doses”, explica.
Para Jaú foram enviadas 150 doses da vacina, que serão aplicadas nos Postos de Saúde. “Mães e pais devem levar as crianças para mais uma vacinação.
A rede pública de saúde está preparada para a imunização e, por isso, as mães não precisam ficar preocupadas com a oferta. Todas os Postos de Saúde terão vacina”, afirma Rute Elizabete Grossi, chefe da Vigilância Epidemiológica do município.
O diretor de saúde de Lençóis Paulista, Norberto Pompermaier, lembra que não basta o governo fornecer a vacina, é necessário que os pais tenham consciência da importância de vacinar os filhos. “É importante ter a conscientização das pessoas, porque se não tivermos a consciência delas não adianta ter o estoque cheio de vacinas”, comenta.
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Menos internações
Na opinião da coordenadora de saúde comunitária de Lençóis Paulista, Cristina Consomagno Baptista, a inclusão da vacina contra o rotavírus no calendário nacional de vacinação é uma conquista importante para o País.
Segundo ela, isso vai permitir, dentro de alguns anos, que se diminua o número de internações por diarréias nos hospitais. “Pelo menos durante os cinco primeiros anos é certeza que ela (a criança) vai estar imunizada, período em que é mais grave a diarréia. Vamos imunizar uma grande população. Então, dificilmente vai ter de onde pegar (o vírus)”, comemora.
A auxiliar do setor de doenças epidemiológicas de Pederneiras, Cássia Regina Borges compartilha da mesma opinião da coordenadora. “A partir do momento em que a criança toma a vacina contra o rotavírus, vai diminuir o número de internações de crianças com diarréia provocada pela doença. A criança tomando a vacina, ela não vai estar mais disseminando o vírus”, diz.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil nascem mais de 3 milhões de crianças por ano. Produzidas pelo laboratório GlaxoSmithKline, o governo federal adquiriu 8 milhões de doses da vacina ao custo unitário de R$ 15,00. A mesma vacina chega a custar na rede privada até R$ 200,00 cada dose. A expectativa é que, com a vacinação contra o rotavírus, haja redução de até 42% das internações por gastroenterite infecciosa, na faixa etária de menores de 5 anos.