Polícia

Crime em bar engrossa a estatística de jovens mortos por motivo fútil

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A vítima era jovem e o motivo da morte foi fútil. As duas características do homicídio registrado no final da noite de anteontem em Bauru, que tirou a vida de Adriano Biscalchim Catani, 24 anos, são as mesmas da maioria deste tipo de crime ocorrido neste ano na cidade. O acusado de ser o autor dos crime é outro jovem, Lucas Corso Cury, de 21 anos, que foi preso em flagrante. Eles eram amigos.

De acordo com a Delegacia Seccional de Bauru, de janeiro até ontem foram registrados dez homicídios na cidade. A vítima mais velha tinha 36 anos - morte ocorrida no dia 6 do mês passado. A mais nova, de 16 anos, foi morta no dia 22 do mesmo mês, o que revela que a maioria das vítimas da violência urbana é jovem.

Cury é acusado de ter disparado quatro tiros contra Catani, na noite de terça-feira, em um bar da quadra 7 da rua Maria José, na Vila Altinópolis (na direção da Igreja Santa Rita, lado direito de quem segue pela avenida Duque de Caxias, sentido Centro/bairro). Os dois, segundo a família da vítima, eram amigos de freqüentarem um a casa do outro.

A família Catani não se conforma. O pai, Nelson Catani, diz que foi um susto tremendo. “Eles são colegas de infância. O Lucas não saía da minha casa. Meu filho era sócio do irmão dele numa academia de ginástica e cursava o colegial”, conta. A mãe, que ficou ao lado do caixão, preferiu não falar. Mas no seu rosto estava estampado a tristeza de ver o filho morto.

Foram cinco tiros, comentava a irmã caçula, Sharla Catani. “Três no rosto, um no braço e um no tórax. O Lucas não podia ter feito isso com o meu irmão. Ele foi encontrado bebendo em outro bar de tão preocupado que ele estava com o Adriano”, desabafa.

Sharla espera que seja feita justiça. “Meu irmão morreu inocente. O Lucas foi preso e já está em Avaí. Eu quero justiça. Eu sei que eles discutiram como todo amigo discute. Meu irmão era grande e deu um tapa nele. Ele foi buscar a arma e matou meu irmão”, relatou.

O proprietário do bar, Carlos Roberto Silva Neves, disse à polícia que ouviu um copo quebrar e, em seguida, Lucas deixou o estabelecimento. Ele admite que ouviu alguém dizer que Lucas tinha ido buscar uma arma. Optou então, frisa, por fechar a porta de acesso da rua Maria José, deixando semi-aberta apenas a porta localizada na travessa Constante Perroca.

De acordo com ele, repentinamente, Lucas retornou ao bar com a arma em punho. Efetuou dois disparos contra Adriano, que caiu, momento em que o acusado deixou o local.

Vizinhança

O bar onde Adriano foi morto estava fechado na manhã de ontem. Segundo a vizinhança, o estabelecimento só abre no período da tarde. Localizado a duas quadras da avenida Duque de Caxias, numa região menos visada pela violência urbana, o crime assustou os moradores das imediações.

Sem se identificar, eles concordaram em falar. Uma das vizinhas disse que o estabelecimento ferve de gente no período noturno e só não incomoda mais porque o quarto dela fica virado para a outra rua. “Esse bar está sempre cheio. Já teve outro assassinato”, disse.

A mulher ressalta, porém, que não ouviu os tiros anteontem à noite. “Eu estava assistindo televisão nesse horário e não ouvi nada. Mesmo que tivesse ouvido, não iria me envolver”, adianta. Outro morador acredita que entre os freqüentadores do bar estão usuários de drogas. “A noite o bar fica cheio de jovens. As brigas são constantes, muita coisa que acontece nem chega ao conhecimento da polícia”, diz ele.

O morador alega que o orelhão instalado próximo ao bar facilita as negociações. Por isso ele acredita que o local seja ponto de distribuição de drogas. “Tenho dois filhos e me preocupo com a situação”, comenta.

Ele afirma que a lei municipal que obriga os bares que vendem bebida alcoólica no balcão a fecharem as portas às 23h durante a semana não vem sendo obedecida.

Comentários

Comentários