Nacional

Vendas não cobrem custos da Bienal

Por Eduardo Simões | Folhapress
| Tempo de leitura: 6 min

Um milhão e meio de livros expostos em 320 estandes, dos quais 210 mil títulos diferentes e 3.000 lançamentos, e um investimento da ordem de R$ 18 milhões. A hiperbólica Bienal do Livro de São Paulo chega hoje à sua 19.ª edição firmando-se mais como um evento promocional, no qual as editoras aproveitam para apresentar seus produtos à mídia, ao público e aos livreiros, do que um ponto de vendas diretas.

Para Marcos Pereira, da Sextante, o faturamento da editora na Bienal é irrelevante se comparado com a receita anual, por exemplo. “A Sextante espera empatar o valor investido no evento. Sendo assim, com certeza a Bienal é mais uma vitrine do que um balcão”, avalia Pereira, que neste ano vê como desafio maior estabelecer a editora como uma marca independente de seu maior sucesso, o best-seller Dan Brown.

“De certa maneira, é a Sextante se apresentando menos como o estande de ‘O Código Da Vinci’, e mais como institucional, tentando criar uma maior identificação do público com a marca”, completa o editor, que trará ao evento dois de seus pesos-pesados nacionais em auto-ajuda, Augusto Cury, o mais vendido da casa, e Aparecida Liberato (autora do best-seller “Vivendo Melhor Através da Numerologia”).

Luciana Villas-Boas, da Record, é ainda menos otimista do que o editor da Sextante quanto à relação custo-benefício: segundo a editora “não há a menor esperança de vender de modo a cobrir custos para montagem de estandes, eventos etc.”, um investimento que, segundo ela, deve passar de R$ 200 mil. A Record está levando mais de 60 títulos, mais ou menos o que lança num bimestre. “Tentamos, nesse período, fortalecer a lista de livros com perfil mais popular, embora a mistura do catálogo seja ampla. O momento é de encontro com livreiros do país inteiro para apresentar a produção do ano. A mudança para o Anhembi aponta para melhores resultados de público e, conseqüentemente, de venda. Se conseguirmos lucrar, ficaremos felizes da vida”, diz Villas-Boas.

Diretor de vendas da Ediouro, Ivo Camargo pondera as perdas mas também os ganhos com a Bienal: carioca, a editora sofre com os custos para passagem, hospedagem, transporte e refeição da equipe. A solução foi uma parceria com a livraria Saraiva, que fará sua parte comercial. “Aí, a gente consegue equilibrar um pouquinho as contas”, diz Camargo.

Mais otimista em relação à Bienal, Paulo Rocco promete levar uma seleção eclética de lançamentos à feira. A Rocco reforça o segmento de auto-ajuda com livros do psicanalista Luiz Alberto Py e do best-seller John Gray (“Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus”), e aposta no segmento infanto-juvenil, um dos mais populares da feira. “A Rocco Jovens Leitores tem crescido com uma média de 50 lançamentos anuais. Para esta Bienal, temos uma série de lançamentos nacionais, tanto de estreantes, como de nomes já conhecidos do público, a exemplo da autora dos nossos best-sellers no segmento, Thalita Rebouças, que vai à feira para lançar ‘Fala Sério, Professor’”, adianta Rocco.

Porta-voz da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Marino Lobello sustenta que, para o grande público, a Bienal é, sim, um balcão, em que as editoras com linhas “menos elitizadas” têm chances de vender mais. Em 2004, diz, 72% dos visitantes adultos compraram livros, e 65% destes levaram até cinco títulos para casa. “A Bienal é uma fantástica alavanca de vendas, porque as pessoas vão tomar um banho de livros. Mas é importante ressaltar que não produzimos um shopping de livros, mas de cultura. São mais de 310 horas de eventos culturais ao longo de 11 dias. Essa é a nossa alegria”, conclui Lobello.

Ele garante que as livrarias vendem bem na Bienal. Há dez anos a Livraria Cultura não participa. Neste ano, a Fnac está de fora. E a Saraiva não quis comentar suas expectativas. Vitrine e balcão à parte, uma nota de pé de página curiosa: às vésperas da abertura da Bienal, pelo menos três dos maiores editores do país não estão no Brasil: Luiz Schwarcz (Companhia das Letras), Roberto Feith (Objetiva) e Carlos Augusto Lacerda (Nova Fronteira) participaram, na Inglaterra, da London Book Fair, que terminou anteontem.

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Auto-ajuda é estrela

Os livros de auto-ajuda estão entre os mais esperados da 19.ª Bienal. E centenas de obras do tipo aguardam os fãs do estilo. Entre eles, “A Paz É o Caminho”, de Deepak Chopra, indiano que só nos Estados Unidos já vendeu 20 milhões exemplares, e “Pare de Levar Foras”, da especialista em relacionamentos Lisa Daily, que tenta ensinar corações despedaçados a evitarem nova decepção amorosa.

Além disso, dois autores que encabeçam a lista dos mais vendidos do gênero no Brasil, Mark Baker, escritor de “Jesus, o Maior Psicólogo que Já Existiu”, e Augusto Cury, de “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”, marcam presença na Bienal. Baker dá autógrafos no estande da Editora Sextante no sábado, às 18h, e no dia seguinte faz palestra com Cury, também às 18h.

Folhapress

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Eventos

Salão de Idéias

• Hoje,18h - Carla Camurati, atriz e diretora, Roberto Bontempo, ator e diretor, Dany Laferrière, autor, e João Falcão e Adriana Falcão, autores e roteiristas, discutem livros que viraram filmes no cinema

• Amanhã, 17h - Ferreira Gullar, poeta, fala sobre sua carreira e suas principais obras

• Sábado, 11h - Fernanda Young , autora da série “Os Normais” e do quadro “Super Sincero”, da Rede Globo, e Rosa Montero, escritora, revelam como se inspiram em pessoas reais para compor personagens fictícios

17h - Roberto Shinyashik, médico, psiquiatra e escritor, discute o sucesso de “Amar Pode Dar Certo”, livro de auto-ajuda que se tornou um de seus maiores sucessos

• Domingo, 13h - Ziraldo, autor de “O Menino Maluquinho”, e Pedro Bandeira e Tony Brandão, autores infantis, falam sobre a inclusão social pela leitura

15h30 - Tony Bellotto, músico do Titãs e escritor, divide a mesa com Lawrence Block, escritor, para colocar em pauta o suspense e a ação na literatura

• Segunda-feira, 17h - William Waack, apresentador do “Jornal da Globo”, recebe convidados para debater sobre as guerras que transformaram o mundo.

20h - Rubens Ewald Filho, crítico de cinema, e convidados fazem painel sobre a relação entre literatura e cinema

• Terça-feira, 14h - Pasquale Cipro Neto, professor e apresentador da TV Cultura, Nelly Novaes Coelho, escritora, e Élie Bajard, doutor em lingüística, tratam da linguagem usada na internet e de sua influência na língua portuguesa

Salão de Idéias Especial

• Quinta-feira, 11h - Gabriel O Pensador, cantor, discute personagens de livros que ficam na memória

20h - Antonio Calloni, ator, e Silviano Santiago e Ignácio de Loyola Brandão, escritores, revelam o processo da criação de um personagem

• Sábado, 11h - Walcyr Carrasco, autor de “Alma Gêmea”, e Ruth Rocha, autora, se encontram para falar sobre trabalho e inspirações na hora de escrever

13h30 - Lya Luft, autora do best-seller “Perdas e Ganhos”, promove bate-papo sobre sua obra

16h - Danuza Leão, jornalista, relembra sua história de vida e profissional.

• Domingo - Ruy Castro e Fernando Morais, jornalistas e escritores, falam sobre as biografias que escreveram, como as de Assis Chateaubriand, Carmen Miranda, Garrincha, Olga Benário e Nelson Rodrigues

19h30 - Lygia Fagundes Telles, escritora, aborda sua obra e clássicos da literatura brasileira contemporânea

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