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Mãe acusa hospital de erro em parto

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Como toda mulher grávida, Jéssica Juliane Gomes Pauli preparou o enxoval para a chegada de sua filha, Maria Luiza. Mas, desde o nascimento da criança, no dia 6 de janeiro, no entanto, o berço e as roupas compradas não foram usados. Já com 2 meses, Maria Luiza permanece internada na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, sem perspectivas de receber alta hospitalar.

O bebê não consegue engolir - é alimentada por sondas. Apresenta síndrome hipóxico-isquêmica, popularmente, conhecido por edema cerebral ou, ainda, inchaço no cérebro. Para a mãe, a demora para realizar o parto teria gerado complicações e, conseqüentemente, a doença na criança.

“Dois dias antes da Maria Luiza nascer, senti fortes dores na barriga e fui à Maternidade Santa Isabel”, conta Pauli. “Um médico me atendeu, receitou Buscopan (para aliviar a dor) e disse que era para eu procurar um posto de saúde para fazer exame de urina porque poderia estar com infecção”, diz Pauli.

Dois dias depois, ainda com fortes dores, ela voltou à maternidade, às 11h. “Outro médico me atendeu e disse para a enfermeira que eu estava em trabalho de parto”, conta. Sem a dilatação necessária para começar o parto, ela teria esperado até as 16h30, com dores. Às 17h30, a criança nasceu prematura, aos 7 meses e meio, de parto normal.

“Não vi a Maria Luiza quando ela nasceu. Ela foi levada rapidamente pela enfermeira porque teve convulsão, engoliu água do parto e ficou sem oxigenação no cérebro. Mas, só fiquei sabendo disso horas depois”, relata.

Indignada, a mãe registrou boletim de ocorrência. Na denúncia lavrada na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, a mãe relatou que um médico de sua confiança afirmou que a “a criança havia passado da hora de nascer e ficou sem oxigenação no cérebro”.

A titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, Rejani Borro Ortiz Tiritan, disse que anteontem foi instaurado um inquérito policial para investigar o caso. “O inquérito está em fase inicial. Primeiramente, a família da vítima será ouvida. Um exame de corpo de delito deverá ser feito na criança”, explica a delegada. Depois, serão convocados os médicos da maternidade que tiveram contato com a criança.

A avó da criança, Marilu Gomes, argumenta que a filha não tem condições de manter o bebê em casa. “A minha neta precisa de enfermeira 24 horas por dia. Os custos seriam de mais de R$ 2 mil por mês. A avó explica que a criança se alimenta por sonda, tem dificuldades para respirar, não se movimenta e não consegue engolir nem mesmo a própria saliva.

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Comissão de ética

A diretoria clínica da Maternidade Santa Isabel decidiu, ontem, que vai levar a denúncia para avaliação da comissão de ética da instituição. O caso será apurado e, se houver necessidade, encaminhado ao Conselho Regional de Medicina (Cremesp) da regional de Bauru. Com os exames preliminares da criança, a maternidade não pôde avaliar se a doença iniciou-se antes ou após o parto.

Preliminarmente, divulgou que não ocorreu erro médico nem negligência, pois mãe e filha foram atendidas - como acontece em outros partos realizados no órgão. Também informou que o nascimento prematuro pode implicar em mais complicações do que bebês nascidos no tempo normal, nove meses.

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