A presença do ex-juiz federal João Carlos da Rocha Mattos e da ex-esposa dele Norma Regina Emílio Cunha no vôo comercial que aterrissou em Bauru no início da tarde de ontem alterou a rotina do aeroporto. Ao taxiar pela pista, a aeronave não parou no local de costume.
Desembarcou os passageiros próximo ao segundo portão, onde uma viatura da Polícia Federal aguardava o ex-juiz e a ex-esposa dele. De forma rápida, entraram no veículo e seguiram para a Polícia Federal, onde permaneceram até o horário da audiência na Justiça Federal.
O procedimento foi tão rápido, que não chamaria a atenção de quem não conhece a rotina do aeroporto. Mas não passou despercebido para o advogado Marcos Tolentino, que estava no mesmo vôo, acompanhado por colegas de profissão. Ele, que chegou a conversar com Rocha Mattos durante a viagem, destacou a tranqüilidade do ex-juiz.
Ressaltou, porém, a tristeza que estaria estampada em sua face. “Ele é um exemplo do que é esse País. Mas isso é só um pouquinho do que foi feito”, comentou. Há quem suspeite que Rocha Mattos tenha relações, inclusive, com integrantes do alto escalão do governo federal.
Conforme o JC divulgou no final do ano passado, o ex-juiz disse à CPI dos Bingos que a Justiça Federal tem cópias de 42 fitas-cassete com gravações ilegais nas quais petistas discutem, segundo ele, meios de abafar as investigações do assassinato do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, morto em janeiro de 2002.