Um prazeroso passeio de fim de semana, ou outra folga que seja, é visitar um zoológico, qualquer um deles. Aprendemos o quanto é admirável ver animais, pássaros, peixes e outras formas de vida, ali, expostos para uma agradável tarde de lazer.
Para os mais velhos, uma boa opção de sair de casa; para as crianças, um fascínio de cores, formas e sons, e, para tantos de nós, um bom lugar para um saudável encontro com a natureza. Bichos exóticos, selvagens e raros reunidos numa vitrine segura, organizada, asséptica.
O leão que vive nas savanas africanas, a águia que sobrevoa as montanhas dos Andes, o peixe que habita as profundezas dos rios, todos, a alguns centímetros de nós e com poucos metros de mundo.
A liberdade fica por conta das histórias que contamos nas placas. Aquelas que descrevemos o habitat, a alimentação, a posição geográfica, onde tudo é cientificamente registrado para saciar nossa sede de sabedoria. Nas palavras, um romance de ficção que nos remete a araras, piaparas e macacos, livres e soltos, com a beleza e a sorte para a qual foram concebidos. Na realidade, um olhar virtual que oculta seres tristes e presos.
Asas, garras e guelras que nunca mais experimentarão a real função para a qual existiram. Equipamentos engenhosamente construídos pela natureza, para exercitar a magia da vida, reduzidos a uma mera condição ilustrativa. Estes bichos, belos e feios, burros e irracionais, aos nossos opacos olhares, merecem, por isso, a captura pelas armadilhas de uma espécie dotada de diferenciada inteligência. Assim, anulam-se e servem em benefício daquele que mais pode, mas que, ainda, pouco sabe.
Por que, então, fazemos isso? Para preservar. Mas preservar de quem? Dos humanos, aqueles que ficam do lado de fora das grades.
O autor, Luís Victorelli, é jornalista. Coordenador do projeto ScienceNet de Ciência e Cidadania. lvict@terra.com.br