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Após escaparem de cassação, Luizinho e Brant negam ‘acordão’

Por Rose Ane Silveira | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - As acusações sobre a existência de um acordão tiraram um pouco do brilho das comemorações feitas pelos deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP), que escaparam anteontem da cassação no plenário da Câmara. Após o resultado das votações, os dois deixaram de se defender das acusações de envolvimento no suposto “mensalão” e passaram a se rebater as acusações de terem comandado um “acordão” entre o PT e PFL.

Brant e Luizinho rejeitaram a tese do “acordão” e afirmaram que o plenário “fez apenas Justiça”. “Não existe acordão. Quem conhece a política e a história dos dois partidos, jamais vai acreditar em um acordo feito entre PFL e PT”, disse Brant. Já Luizinho disse apenas que não “existe nada disto”. Os dois deputados comemoraram o resultado das votações com suas famílias e amigos até a madrugada de ontem. Para o Conselho de Ética o resultado foi um baque.

Na reunião administrativa desta quinta-feira o tema em debate foi o resultado das votações, a derrota do Conselho e a emenda à constituição proposta pelo deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP). A proposta acaba com o voto secreto no plenário da Câmara nos processos de cassação de mandato de parlamentares. “Temos que mudar isto. O voto secreto é muito confortável. Eu queria que o voto fosse aberto e que cada deputado assumisse perante a opinião pública a responsabilidade sobre o seu voto”, afirmou o deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), que integra o Conselho de Ética e é o relator do processo contra o deputado João Paulo Cunha (PT-SP).

“Tudo isso é muito ruim. O Conselho faz um trabalho minucioso, os seus integrantes ficam frente à frente com os seus colegas acusados, muitas vezes amigos pessoais, fazem o que têm que fazer. Daí vem o plenário, ignora o trabalho do Conselho e graças ao voto secreto e ao acordo de ajuda mútua entre os partidos joga todo este esforço fora”, disse o deputado Julio Delgado (PSB-MG).

O deputado Orlando Fantazzini (Psol-RJ) avaliou nesta quinta-feira que o resultado das votações de anteontem representam um autojulgamento dos deputados. “Com certeza muitos sabem que pelo que fizeram, poderiam estar enfrentando a mesma situação que Luizinho e Brant e por isso absolveram os dois. Foi uma auto-absolvição”, avaliou o deputado paulista.

Briga

O deputado Fernando Ferro (PT-PE) perdeu a paciência na tarde de ontem e partiu para a briga em pleno Salão Verde da Câmara com o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Delgado vem acusando Ferro desde anteontem à noite de ter compactuado com o “acordão” fechado entre PT e PFL para livrar os deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP) da cassação recomendada pelo Conselho de Ética.

“O Ferro subiu à tribuna e em seu discurso sinalizou a posição do PT para o PFL. Logo depois o deputado Mussa Demes (PFL-PI) sobe à tribuna e deu o mesmo sinal”, afirma Delgado. Ao ouvir mais uma vez ontem estas declarações, Ferro perdeu a paciência e partiu para o ataque. “Você me respeite. Fiz isto por acreditar nas pessoas que defendi. Você está querendo aparecer”, gritou Ferro.

A exaltação do deputado petista chamou a atenção dos seguranças da Câmara que se aproximaram dos dois parlamentares para evitar um confronto físico. Ainda calmo, Delgado respondeu : “Fala Fernando, o que você quer?”. Ao ver a expressão de Delgado, Ferro ficou ainda mais irritado e disparou: “Tenha um pouco de dignidade”. Delgado perdeu a paciência e disse: “Você é corporativista mesmo.”

Ao ser acusado de corporativismo por ter defendido a absolvição de Brant e de Luizinho, Ferro ficou ainda mais indignado. “Me respeita. Você está na segunda lista do Marcos Valério (de Souza, apontado como operador do suposto mensalão). Está na lista de Furnas. Isso que você está fazendo é uma vergonha”, disse o petista.

A discussão acabou aí. O deputado Julio Delgado, que é integrante do Conselho de Ética da Câmara e foi o primeiro parlamentar a dizer anteontem que está “configurado o acordão”, virou as costas e deixou o Salão Verde sem se defender das acusações ou comentar a explosão de Ferro. Mais tarde, Delgado disse que não continuou a discussão com Ferro porque poderia ter “partido para as vias de fato”.

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