Nacional

Documentário vencedor do Oscar 2006 chega a Bauru

Por Leonardo Cruz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Uma pausa no calor senegalesco que castiga Bauru nestes dias de verão. Após passar pela Europa, Estados Unidos e pelas capitais brasileiras, uma frente fria estaciona hoje nos cinemas e traz consigo 7 mil pingüins-imperadores. É “A Marcha dos Pingüins”, documentário do francês Luc Jacquet que segue a jornada dessas aves pelo continente antártico durante um ano. Biólogo, fã de David Lynch e Jacques Cousteau, Jacquet, 37 anos, chegou pela primeira vez à estação francesa Dumont d’Urville (sudeste da Antártida) em 1992 e logo se interessou pelos imperadores que vivem na região. Até 2005, quando lançou “A Marcha”, ele esteve envolvido em outros quatro filmes sobre pingüins (curtas e médias-metragens).

“O ciclo reprodutivo deles é como uma tragédia natural, comparável ao teatro grego. Há a morte, a vida, o amor, o sacrifício. Para mim, foi como uma dádiva da natureza, um roteiro que já veio pronto”, contou o cineasta, ao explicar seu interesse pelos animais. Foi esse processo, do início da marcha para a procriação até o momento em que os pingüins retornam ao oceano, que Jacquet retratou em seu primeiro documentário de longa-metragem.

Sobre as dificuldades de filmar na Antártida, o diretor disse que o principal desafio é o vento, mais do que o frio e do que tempo ocioso - muitas vezes se passavam dias até que os pingüins fizessem algo novo, que valesse registrar. “No início de setembro, Jérôme (Maison, um dos cinegrafistas) se perdeu no meio de uma nevasca. É muito fácil se perder, porque o vento muda de direção rapidamente, e de repente você está no meio de uma nuvem de neve, sem ver nada, sem direção.”

Entretanto, na avaliação de Jacquet, mais complicado do que filmar na Antártida foi obter verba para o documentário, de custo estimado em US$ 8 milhões. “Foram mais de dois anos para convencer um produtor a aceitar o projeto e depois mais um ano para financiá-lo. É difícil arrumar alguém disposto a colocar dinheiro em um filme que mostra apenas pingüins andando. A parceria com a Warner (que lançou o filme nos EUA) surgiu como um sonho, porque a produtora (Bonne Pioche) estava perto da falência.”

Vencedor do Oscar de melhor documentário, o filme aposta na capacidade de atrair espectadores que o imperador e seus filhotes felpudos têm mostrado pelo mundo. Foi recorde de bilheteria para o gênero na França e, com quase US$ 80 milhões arrecadados nos cinemas americanos, tornou-se o segundo documentário mais visto da história dos EUA, atrás apenas de “Fahrenheit 11 de Setembro”, de Michael Moore, Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2003.

Comentários

Comentários