Na hora de trocar peças do carro, sempre se fica em dúvida se vale a pena comprar peça nova ou recondicionada. A diferença de preço é muito grande na maioria das vezes. Mas e a qualidade, procedência e garantia?
Como regra geral, peças relacionadas com a segurança sempre devem ser novas e originais. Peças de acabamento, acessórios, lataria, vidros e tudo o que não representa perigo, caso venha a falhar, pode ser encontrado em desmanches e sucatões com preços bem acessíveis.
Existem empresas sérias que fazem um bom recondicionamento de certos componentes que voltam à ativa em grande estilo. É o caso dos pneus recauchutados ou remoldados, amortecedores, lonas de tambor de freio (não pastilhas de disco de freio) e feixe de molas, dentre outras, que podem ser remanufaturados e readquirir boa qualidade para uso seguro.
Mesmo assim, nunca terão a mesma confiabilidade e segurança da peça original. Se um carro velho, com uso restrito em cidade e que roda com velocidade baixa, usar algum desses componentes será perfeitamente válido para sua aplicação. Mas não espere fazer curvas a 120 km/h em estradas com amortecedores recondicionados e pneus recauchutados de má procedência.
Pivôs de suspensão e direção, cilindros de freios, rolamentos e homocinéticas não dão conserto. Precisam ser trocados por novos sempre. Existem empresas de má-fé que vendem rolamentos usados como se fossem recuperados. É um crime, pois apenas lavam o rolamento usado com thinner, removem a graxa e o vendem como remanufaturado. Um rolamento tem três faces de contato que sofrem desgastes: a pista externa, a interna e as esferas ou roletes. Se elas estiverem desgastadas, o rolamento “ronca” e ganha folgas perigosas. Como foi remanufaturado se não trocou nada? Caso de polícia...
A maioria dos caminhões usa pneus traseiros recauchutados com muitas vantagens, mas na dianteira devem ser sempre novos por segurança. Mesmo assim, vemos em viagens pedaços de banda de rodagem espalhados pela estrada de pneus recauchutados sem qualidade. Os remoldados têm mais tecnologia (quase todos os aviões os utilizam, mas de fábrica e com muita tecnologia). O problema em comprar um pneu remold qualquer é não saber a procedência da carcaça do pneu. Para um uso normal e tranqüilo, pode ser uma boa escolha.
Com os amortecedores, tem gente que apenas lava e repinta a carcaça, troca as borrachas e revende como recuperado. Outro crime! Um bom recondicionamento exige a troca de peças internas como válvulas, retentores, hastes, óleo e o que mais for necessário.
Por isso, de forma geral, desconfie sempre de procedência desconhecida e opte pela segurança.
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CORREIO TÉCNICO
Carro zero precisa ter o motor amaciado?
As montadoras recomendam que não se force o motor de carro zero, não ultrapassando determinada rotação até certa quilometragem. Isto serve para acomodar peças que trabalham em contato direto e ajuda na lubrificação interna inicial, até formar uma película mais permanente nas paredes. Mas motores modernos precisam de amaciamento mais simples e rápido do que antigamente, no qual era mandatório. Hoje é quase dispensável. Nos retificados, deve-se observar período igual ou maior que o original, conforme especificação do reparador.
Sílvio Luiz, Agudos (SP)
É melhor utilizar pneus novos na traseira?
Sim. Na hora da frenagem, o peso do carro é deslocado para frente, aumentando a carga sobre os pneus dianteiros, que ganham mais aderência e freiam melhor. No caso dos traseiros, ocorre o inverso, pois a tendência é de descolar os pneus do chão, perdendo aderência. Com pneus mais velhos na traseira, haverá perda de capacidade de frenagem, podendo ocorrer derrapagem mais difícil de controlar. Por isso, se recomenda colocar pneus melhores na traseira, por segurança. Mas melhor é fazer rodízio, deixando todos com desgaste uniforme, e trocar os quatro simultaneamente.
Paulo Augusto, Bauru (SP)
Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).
*Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em Administração Industrial e Marketing e Engenharia Aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.