Economia & Negócios

Projeto incentiva a leitura em presídio

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Uma campanha para disseminar o gosto pela leitura nos presídios do Estado de São Paulo é o primeiro projeto da parceria firmada entre o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e a Fundação de Amparo ao Preso (Funap). Lançada nesta semana, a idéia da ação inédita é envolver as cerca de 9.500 empresas associadas à entidade industrial em um projeto de responsabilidade social concreta, a partir da doação de livros.

“Esta é a primeira de uma série de ações que serão desenvolvidas com o apoio do Ciesp, é um reforço muito bem-vindo às nossas atividades”, diz o presidente da Funap, Iberê Baena Duarte.

A parceira é resultado de visitas feitas por Duarte junto com o presidente do Ciesp, Cláudio Vaz, a alguns presídios do Estado. “Nós conversamos sobre as atividades que poderíamos desenvolver em conjunto. Ele e o nosso pessoal viram que uma coisa que poderíamos fazer de imediato é a campanha”, lembra Duarte. Ontem, a Funap começou o trabalho de divulgação do projeto.

O Ciesp vai incentivar seus associados, distribuídos em 42 diretorias regionais, a doar livros às unidades prisionais de São Paulo, com o objetivo de estimular a leitura e o estudo dos mais de 122 mil presos no Estado. Ricardo Coube, diretor regional do Ciesp em Bauru, afirma que irá a São Paulo na próxima semana, quando pretende conhecer melhor o projeto.

“Nós temos prazer em contribuir. Mas antes, preciso tomar conhecimento do papel que iremos desempenhar nesse projeto. Assim que tiver essa informação, comunicarei nossos associados”, observa.

Há seis meses a Funap vem investido no tema com a reorganização das salas de leitura das unidades prisionais. “As estantes foram trocadas. Além disso, adquirimos 50 mil livros indicados por pedagogos e psicólogos”, conta Duarte. Outros 70 mil foram doados pela Imprensa Oficial do Estado. Essas ações foram desenvolvidas em conjunto com a Secretaria de Estado da Cultura, por meio do projeto “São Paulo, um Estado de Leitores”.

Por meio da parceria firmada com o Ciesp, o objetivo é recolher mais títulos para o acervo dos presídios. As regionais da entidade vão recolher as doações até 10 de abril. “Só então saberemos o volume de livros que serão distribuídos”, esclarece Duarte.

Segundo ele, nas salas de leitura em funcionamento os livros mais procurados pelos reeducandos são os jurídicos. “Eles queriam entender os processos para saber o que estava acontecendo, e até se tornavam autodidatas”, conta o presidente da Funap. Com as doações, o dirigente espera que a busca por outros assuntos seja estimulada. “Com outros tipos de obras, eles (os reeducandos) adquirem outra formação: a literária”, acredita Duarte.

Outros projetos estão sendo discutidos pela Funap e Ciesp. Um deles é a instalação de empresas nas unidades prisionais. A parceira discute com os sindicatos de trabalhadores a viabilização desse projeto, sem prejudicar funcionários sindicalizados.

Atualmente, cerca de 18 mil presos e presas de São Paulo estudam nas escolas mantidas pela Funap, com salas desde a alfabetização até o ensino médio. A Funap é um órgão estadual vinculado à Secretaria da Administração Penitenciária, responsável por promover trabalho, educação e assistência jurídica nas 144 unidades prisionais paulistas.

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