Economia & Negócios

Fiesp quer ‘organizar’ lixo industrial

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Poluição química e meio ambiente são a pauta do seminário “Resíduos Industriais - Aspectos Legais e Práticos”, que será realizado nesta terça-feira, em Bauru, pelo Departamento de Ações Regionais (Depar), órgão ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento vai abordar, principalmente, o lixo industrial produzido pelas fábricas e até mesmo pelos estabelecimentos comerciais. O objetivo é incentivar o empresariado a fazer o descarte correto desses materiais.

Através de palestras e discussões, que serão ministradas no auditório da Escola Senai “João Martins Coube”, os participantes receberão orientações sobre classificação e destinação dos resíduos, além de um material de apoio sobre a necessidade da prática. A estimativa é de que 200 empresários de Bauru e região compareçam ao encontro.

“Vamos fazer um evento compacto, mas consistente, com informações que possam despertar o interesse das pessoas pelo assunto. A intenção é fazer com que elas busquem posteriormente conosco, na Fiesp ou na Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), as informações complementares que forem necessárias”, explica o diretor regional do Depar/Fiesp em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli.

Segundo ele, assim que o lixo industrial começar a ser devidamente selecionado, será possível ter um diagnóstico dos tipos mais comuns na cidade e também na região. No entanto, admite Simonelli, os resultados ocorrerão a longo prazo, em razão de serem lentos os processos de conscientização e de orientação técnica no setor.

Os resíduos industriais são classificados dentro de uma escala de 1 a 3. Materiais como baterias, por exemplo, correspondem ao tipo 1. É considerado altamente perigoso e, por isso, necessita de um destino extremamente adequado, com isolamento em aterros sanitários apropriados. Seu manejo é controlado pela Cetesb.

O tipo 2 pertence a um nível intermediário. São materiais menos agressivos. Já o tipo 3 corresponde a restos orgânicos, como sobras de comidas produzidas por estabelecimentos comerciais. Não agridem o meio ambiente.

Simonelli destaca que as empresas precisam realizar uma série de procedimentos para conseguir, de fato, descartar o lixo químico legalmente. É fundamental, segundo ele, apresentar uma documentação à Cetesb para que seja aprovada.

O empresário tem de entregar um laudo de classificação do lixo, atestado por um laboratório especializado, comprovando que o material é realmente contaminante. Em seguida, tem de pedir uma nova autorização para encaminhamento do resíduo ao aterro, além de contratar uma transportadora especializada para carregar o material.

Em Bauru, segundo Simonelli, a maioria das empresas que geram produtos de alto potencial de contaminação está devidamente licenciada pela Cetesb e, por isso, destina corretamente os resíduos. O diretor da Fiesp diz ainda que há uma rotina sistemática de visitas da Cetesb a essas empresas, inclusive com vistorias internas, as quais resultam em laudos que servem de orientação aos empresários. Atualmente, esses estabelecimentos estão sendo obrigados a apresentar um planejamento anual da quantidade de material poluente gerado e, inclusive, sua destinação.

“Bauru é a cidade da região que mais sabe tratar esse tipo de lixo. Mesmo assim, é preciso haver uma interação muito forte entre empresas e Fiesp para que haja troca de informações técnicas e, conseqüentemente, aprimoramento profissional dos técnicos das entidades”, diz Simonelli.

O diretor da Fiesp considera que no Estado de São Paulo o controle da atividade industrial é um dos mais rigorosos do País.

Programação do seminário

8h30: Palestra - “Gestão de resíduos industriais”, com a engenheira Tânia Machado de Souza Costa

9h30: Debate

10h: Palestra - “O papel da fiscalização diante do descarte de resíduos industriais”, com o engenheiro Alcides Tadeu Braga

11h15: Debate

Local: auditório da Escola Senai “João Martins Coube”, na rua Virgílio Malta, 11-22, Centro

Informações: 3104-3800

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