O pré-candidato do PMDB à presidência, Anthony Garotinho desembargou ontem em Bauru, rumo à cidade de Agudos, onde participou de um encontro do partido. Garotinho esteve na Redação do JC e falou sobre as prévias internas com o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que acontecem no próximo domingo, governo Lula, absolvição de deputados no Conselho de Ética e conflitos entre Exército e tráfico no Rio de Janeiro.
Jornal da Cidade - Pesquisas mostram que o senhor tem 69% da preferência dos filiados do partido. O senhor está otimista para as prévias do PMDB?
Anthony Garotinho - Estou muito otimista de que iremos vencer as prévias e logo em seguida iremos unir o partido. Ontem (anteontem) me encontrei com o Orestes Quércia e ele me declarou o seguinte: ‘Na noite de domingo, quando sair o resultado das prévias e você for o vencedor, serei o primeiro a declarar apoio a você’.
JC - Dizem, nos bastidores da política, que o Germano Rigotto poderia fazer uma aliança com o Lula. Como o senhor vê esta situação?
Garotinho - O PMDB é um partido muito grande e não pode deixar de ter um candidato próprio. O PMDB tem um programa de governo que é o oposto do praticado pelo PT e pelo PSDB. Então, como vamos apoiar o PT ou o PSDB? Não tem aliança com o PT nem com o PSDB.
JC - Como será a política de alianças do PMDB?
Garotinho - Passadas as prévias, temos um seminário de encontros marcados com o PPS e PDT. Tudo tem seu tempo. Vamos aguardar.
JC - O senhor acusou que há uma mobilização do PT para evitar as prévias no PMDB. As prévias realmente vão acontecer no próximo dia 19?
Garotinho - O grupo governista vem tentando há muito tempo impedir que o PMDB manifeste o seu desejo. Eles tentaram impedir a convenção do PMDB que ia marcar as prévias e agora, a uma semana das prévias, eles continuam tentando barrar. Não creio em adiamento das prévias.
JC - Caso haja o adiamento...
Garotinho - Se por ventura eles conseguissem adiar, eu vou disputar, o dia que for. Ou seja, eu vou às últimas conseqüências.
JC - Os políticos cariocas sempre tiveram dificuldade em ter apoio do eleitorado paulista. Como está o apoio em São Paulo à sua candidatura?
Garotinho - Na eleição (à presidência) passada eu tive quase três milhões de votos em São Paulo. Creio que nesta eleição vamos ter mais do que isso.
JC - O senhor tem algum palpite sobre quem será o candidato do PSDB?
Garotinho - Não. Tenho muitas dificuldades com o Serra que não tenho com o Alckmin, mas no conjunto os dois vão defender a mesma política de juros altos que favorece os banqueiros e que somos contra.
JC - Brigando com os banqueiros, existe governabilidade?
Garotinho - Não vou brigar com os banqueiros, mas é preciso entender que os bancos podem e devem ganhar dinheiro, como todos os setores, mas não tem cabimento os bancos terem lucro de R$ 44 bilhões nos últimos três anos. Isso é o maior absurdo da história do Brasil.
JC - Como o senhor analisa a absolvição do Professor Luizinho e do Roberto Brant no Conselho de Ética?
Garotinho - Este não foi um bom exemplo para o Brasil. As pessoas que cometem crimes públicos têm que ser punidas para servir como exemplo. O Lula está desmoralizando a honestidade, está criando uma lei para o povo em geral e uma lei para os amigos do presidente.
JC - Gostaria que o senhor comentasse o pedido do Ministério Público Federal pela suspensão das ações do Exército no Rio de Janeiro alegando inconstitucionalidade.
Garotinho - Que é inconstitucional é, mas se tivesse feito o convênio com o Estado, como já propus há muito tempo, isto não teria acontecido. A missão do Exército é combater o tráfico de drogas e o tráfico de armas, mas preferiram fazer algo de improviso, por isso as coisas estão acontecendo desta maneira. O governo federal deveria colocar em ação todo o seu aparato de segurança para cumprir sua missão, que é ajudar o Estado do Rio de Janeiro no combate ao tráfico de drogas e ao tráfico de armas.