Dizem que a verdade divina é humanamente incompreensível e que nossa existência, os acontecimentos de nossas vidas, suas causas, efeitos, meios e fins obedecem uma razão cuja racionalidade humana é incapaz de desvendar os segredos. Alguns, assumindo sua limitada condição e também sua passividade e ingenuidade, dão a isso o nome de destino. Outros preferem enganar-se com a ilusão do “saber” (porque na verdade não o sabe), compreendem apenas de forma parcial, superficial e não menos ingênua, a existência.
A ambição do homem levou-o à ilusão de ser o que não é, e de saber o que não sabe.
A racionalidade humana tornou-se perversa a partir do momento em que passou a ser utilizada para satisfazer as necessidades de seus próprios egos, regalias, gana pelo “poder” sobre os demais e pelo anseio de sentir-se “superior” dentro do sistema social. A busca pelo conhecimento deixou de ser um instrumento democrático, intrínseco a todos os seres humanos e essencial no caminho do aperfeiçoamento pessoal e da vida em sociedade. Passando a ser cada vez mais elitista, alienante e repressora.
Quem estará mais próximo da verdadeira compreensão: o ingênuo humilde ou o ingênuo perverso?
A falta de consciência é a principal inimiga da simplicidade e clareza da verdade. Ao ter consciência de si mesmo, o homem não somente “sabe” como também “sabe que é quem sabe” (ainda que não possa vir a saber por que o sabe).
Na natureza, todos os elementos buscam a estabilidade, ou se preferir, o equilíbrio. A natureza é por essência auto-sustentável, há uma razão em tudo o que existe.
O equilíbrio não é abusivo nem escasso, é a medida exata, onde o supérfluo não existe, como também não existe o cruel. Parece haver em tudo uma consciência do que é realmente necessário, menos na “tão consciente” consciência humana (mãe do abuso e da crueldade).
A verdade nos parece mais clara agora. Na natureza, quando algo está em desequilíbrio, surge uma ameaça à integridade e funcionamento do sistema e, por contrapartida, também a necessidade de corrigir os erros o mais rapidamente possível, antes que atinja maiores proporções.
Sendo assim, dois possíveis fenômenos nos parecem visíveis: ou a “exceção” se readapta rapidamente à “regra”, encontrando novamente um centro, ou a natureza agirá no sentido de reorganizar o sistema a partir do combate à ameaça.
Será que a humanidade se conscientizará a tempo de rever seus conceitos, atitudes e, principalmente, reparar os danos causados à natureza (e, é claro, a si próprio), reconquistando o eixo que novamente possibilitará a evolução em direção à estabilidade? Ou será que a ambição do homem causará o seu próprio sofrimento e seguinte extinção? (Ricardo Marques Monson - estudante da Unesp - RG 35.276.301-2)