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Jornada do MST tem mais seis invasões

Folhapress
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Recife - Vinte e seis invasões de propriedades, 3.900 famílias envolvidas, 150 pessoas presas e uma gravemente ferida. Esse é o saldo da investida do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) denominada de Jornada de Luta, que teve início no último dia 4 e se encerrou ontem, em Pernambuco, com mais seis propriedades invadidas. As lideranças do movimento dizem agora que as ações serão retomadas com fôlego redobrado em abril.

Em todo o País, do início do mês até anteontem 55 invasões a fazendas e a prédios públicos tinham sido registradas. As áreas invadidas pelo MST, na madrugada de ontem, ficam na região metropolitana do Recife e na Zona da Mata. Cento e oitenta famílias invadiram o Engenho Pimentel, em Cabo de Santo Agostinho, e outras cem ocuparam o Engenho Cachoeira Dantas, em Gameleira, mata sul do Estado. Ainda de acordo com o MST, os engenhos Cana Brava, Oiteiro Alto, Guararapes e Maribondo, todos no município de Aliança, completam a lista.

Cerca de 60 famílias de sem-terra teriam tomado cada uma dessas localidades. O único confronto registrado durante as ações se deu na Fazenda Faquinhas, em Cabrobó, quando cerca de 200 famílias de sem-terra resistiram a uma ordem judicial de reintegração de posse. Cerca de 150 pessoas, foram detidas e o agricultor Florisvaldo de Araújo Neri, 25 anos, perdeu a visão do olho esquerdo. A direção do MST acusa da PM de tortura no episódio. A polícia disse que agiu dentro da lei, usando a força por causa da reação dos sem-terra.

Mesmo com um saldo menor que o anunciado - a coordenação do MST havia prometido 30 invasões e 5 mil famílias mobilizadas durante os nove dias -, os líderes do movimento classificaram a Jornada de Luta como um verdadeiro sucesso. “Atingimos nosso objetivo de chamar a atenção da sociedade para a lentidão no processo de reforma agrária no País, para a situação de fome e miséria em que vivem os agricultores”, afirmou Jaime Amorim, principal líder do MST no Estado. Segundo Amorim, em abril, as ações serão retomadas dentro do tradicional “Abril Vermelho”, promovido nacionalmente pelo movimento a cada ano.

Pernambuco está entre os Estados que registram maior número de conflitos pela terra. Neste ano, foram 36 invasões: 26 do MST e outras dez da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf).

Em Sapucaia (900 quilômetros de Belém), cerca de 450 famílias ligadas ao MST estão acampadas na fazenda Rio Vermelho desde quinta-feira. De acordo com Ayala Ferreira, coordenadora do MST em Marabá, a invasão é um protesto contra a existência de latifúndios, a degradação ambiental provocada pela pecuária e a própria Fazenda Rio Vermelho que, segundo ela, já utilizou trabalho escravo. O MST também exige que o Incra agilize o assentamento das famílias, todas das regiões sul e sudeste do Pará.

A fazenda Rio Vermelho tem 26 mil hectares e pertence aos irmãos Quagliato, que possuem 150 mil cabeças de gado em fazendas espalhadas pelo país. O proprietário, Roque Quagliato, já entrou com o pedido de reintegração de posse. Ele disse que a fazenda existe há 33 anos, emprega 200 pessoas, todas com carteira assinada, e é referência mundial em inseminação artificial.

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