Economia & Negócios

Queda do IPI derruba preços de materiais de construção

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O pacote do governo federal de incentivo à construção civil, lançado no mês passado, tem movimentado o setor. A medida reduziu as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 41 materiais de construção, deixando os produtos mais baratos e aumentando as vendas em lojas especializadas. A alíquota do imposto sobre 28 itens caiu de 12% para 5%, chegando a zero nos demais produtos.

Em Bauru, os preços caíram até 30%, dependendo do produto. É o caso de um modelo de torneira, cujo valor passou de R$ 61,50 para R$ 42,50, além de outros metais, revestimentos, louças e cimento. Um assento sanitário, por exemplo, que em janeiro era vendido a R$ 71,00, agora pode ser encontrado a R$ 59,00 (queda de 16%)

O gerente de uma loja especializada em materiais de construção em Bauru, Eliazer de Freitas Costa, diz que o preço dos produtos tem, de fato, elevado o consumo de forma considerável. Em fevereiro, segundo ele, o movimento em sua loja cresceu 40%.

“Assim que o plano foi lançado, recebemos muitas ligações questionando se o preço das mercadorias já tinha baixado. Sábado passado, por exemplo, tive uma explosão de vendas. A procura, hoje, está estabilizada em 20%”, comenta.

Ainda segundo Costa, os materiais de maior saída no momento são os de acabamento, como pisos, metais e argamassa, linhas que tiveram as maiores quedas de preços.

Vendas maiores também foram registradas no estabelecimento do empresário Francisco José Macagnan, em razão do pacote do governo. O acréscimo, de acordo com ele, atingiu até 10% nos primeiros dias de lançamento do plano.

“A maior procura foi por material bruto, inclusive areia, pedra e tijolo. O consumidor aproveitou bem a oportunidade de comprar esses produtos por um valor mais em conta”, destaca.

Em outra loja de materiais de construção consultada pela reportagem, o aquecimento das vendas não foi tão intenso, mas mesmo assim, resultou numa reação imediata de 3%. O gerente do estabelecimento, Júlio Gimenez, informa que a maior parte dos pedidos correspondeu a produtos básicos de construção e a esquadrias.

“Não tive um acréscimo considerável na comercialização, mas o pacote conseguiu causar um reflexo positivo nas vendas. Esperamos que as pessoas continuem comprando para que as nossas vendas cresçam um pouco mais”, observa.

Mais trabalho

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Bauru, Cláudio da Silva Gomes, confirma que o pacote do governo já está incentivando a realização de muitas obras. “Houve um incremento de início de obras, principalmente nos condomínios. Inclusive, em razão disso, muitos empregos têm sido gerados”, diz Gomes.

O sindicalista não soube precisar o número de empregos gerado na cidade após a entrada em vigor do pacote, porém, informou que, atualmente, são 6.200 trabalhadores empregados na construção civil em Bauru e região.

O diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon) em Bauru, Ralph Ribeiro Júnior, avalia que o impacto do pacote não foi tão positivo. Para ele, os custos devem ser reduzidos em 1%. “A redução de custo de uma obra atingiu, no máximo, 1%. O nosso cálculo inicial é de que, se todas as alíquotas baixarem de verdade e chegarem ao consumidor, o impacto nos preços será até menor que 1%”, comenta.

Ao contrário de Ribeiro Júnior, o pedreiro João Carneiro está otimista. Sem trabalho no momento, espera que em abril, por conta do pacote de redução de impostos, a procura por seus serviços comece a aumentar. Segundo ele, nos três primeiros meses do ano é comum essa dificuldade de emprego no setor, cenário que já está sendo revertido com o programa de redução do IPI.

“Acredito que em abril as coisas vão melhorar. Com essa redução de preços, tudo indica que as pessoas estarão mais motivadas a construir. Eu, por exemplo, já estou recebendo propostas”, comemora.

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