Botucatu – Em menos de duas horas, cinco carros foram incendiados na madrugada de ontem, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru). Até ontem, nenhum suspeito havia sido preso. Embora remota, a hipótese do crime ter sido praticado pelo mesmo grupo ou pessoa está sendo investigada pela polícia.
O pequeno espaço de tempo entre um incêndio e outro e o fato de terem sido registrados em uma mesma região, levam imediatamente a imaginar que os autores dos atentados são os mesmos. Mas o delegado Sérgio Castanheira, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), não tem tanta certeza disso.
Na opinião dele, apesar da semelhança de horário e locais, os crimes tem características diferentes e que devem ser levadas em consideração. Um dos incêndios parece ter sido provocado com o único propósito de danificar os veículos, mas outros dois não.
Por esse motivo, o delegado aguarda laudo pericial antes de investir mais em uma determinada linha de investigação. Castanheira espera alguma indicação, mesmo que informal, ainda hoje do perito que esteve nos locais onde ocorreram os incêndios.
O primeiro foi às 2h10 de ontem. O fogo destruiu três carros que estavam estacionados na garagem de uma residência, na rua João Gotardi, na Vila Antártica. É o caso que mais se aproxima de um incêndio deliberado, com a intenção apenas de danificar os veículos.
As chamas consumiram um Gol GTI, ano 96, de Renato Montilha Mathias; um Corsa, 2002, de Rafael Demarchi Malgor; e um Gol, ano 2002, de Jamile Casa.
Os veículos ficaram completamente destruídos. As chamas destruíram também o telhado da garagem e só foram controladas com a chegada do Corpo de Bombeiros.
Cerca de uma hora mais tarde, os policiais foram novamente chamados para controlar outro incêndio no mesmo bairro. Desta vez, na rua Napoleão Laureano. O Tempra verde, ano 95, de Luiz Fernando Gianoni, foi furtado, mas os ladrões andaram com o veículo por apenas dois quarteirões. Por algum motivo, ainda a ser esclarecido, o carro foi abandonado e queimado.
Na seqüência, por volta das 3h50, foi a vez de um Voyage, ano 84, que estava estacionado na rua Vicente da Rocha Torres, no Jardim Bom Pastor. O veículo pertence a Bianca Bueno Marujo e teve um dos bancos incendiados. Foi o carro que menos sofreu danos.
Ação típica
Pelas características da ação, o delegado acredita que os ladrões tentaram furtar o rádio do carro, já que uma das janelas foi arrombada. O fogo, segundo o delegado, pode ter sido acidental ou de propósito. De acordo com Castanheira, parece uma ação típica de dependentes químicos, que furtam para depois usar o dinheiro na compra de drogas.
No caso do Tempra, o delegado da DIG suspeita que a intenção era furtar o veículo, mas ele teria dado problema durante a fuga. Por isso, foi abandonado e incendiado. Segundo ele, o resultado da perícia será fundamental para saber se os incêndios foram provocados pelo mesmo grupo ou pessoa. “Precisamos saber se o material usado (para atear fogo) é o mesmo”, pondera.
No dia 26 de janeiro, o mesmo crime foi registrado no Jardim Marajoara e no bairro Lavapés, também de madrugada. Na ocasião, dois carros foram incendiados e uma pessoa foi presa. Os alvos foram um Passat, ano 76, e uma Belina, ano 83.