O Exército brasileiro fechou as principais portas de entrada das favelas do Rio, para, segundo o Comando Militar Leste, “desidratar as fontes de recursos dos traficantes”. Para bom entendedor, isto significa impedir o trânsito de drogas entre fornecedores, traficantes e usuários. E toda essa movimentação é oriunda do roubo de dez fuzis de um quartel do Exército lá no Estado do Rio de Janeiro.
Analisando esta nota do comando do Exército chega-se à conclusão que seria cômica se não fosse trágica. Infelizmente, demonstra que é sabido de onde parte o tráfico de drogas estabelecido nas favelas do Rio. Isto significa a desmoralização completa da Secretaria de Segurança Pública daquele Estado, e, pior, mostra também a vista grossa das autoridades cariocas que logisticamente deveriam estar combatendo os delinqüentes. Mas na realidade e sem generalizações, fazem sociedade com os traficantes e quando fingem que agem, só massacram civis inocentes cuja maioria são pobres.
Segundo um jornal de grande circulação da capital, depois da invasão dos militares nas favelas, a criminalidade se reduziu para abaixo da metade. E os furtos de carros, roubos a residências e homicídios diminuíram 80%. Que estes dados sirvam de exemplo para os defensores da vingança privada de que com planejamento, inteligência e sem corrupção, as autoridades conseguem abaixar os índices de criminalidade. E para isto não precisamos apelar para o tempo do estado do direito rudimentar aonde se pregava a justiça taliônica do olho por olho e dente por dente.
A sociedade mais bem abastada do Rio de Janeiro está aplaudindo a iniciativa das Forças Armadas alegando que se sente mais segura. No entanto, é no mínimo uma grande heresia acreditar que aqueles cidadãos de bermudas, armados e sem camisa que aparecem na mídia, sejam realmente os principais controladores da droga. Enquanto não investigarem e prenderem os tubarões do pó que moram em mansões e não nos morros, nunca irá se resolver o problema do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. E as invasões temporárias do Exército passam a ser apenas paliativos para encobrir a cumplicidade e a hipocrisia nacional. E o grande problema do Rio de Janeiro são as suas autoridades, e a invasão do Exército comprovou que é difícil saber naquele Estado quem é bandido ou quem é mocinho. Chamem o ladrão!
PS - Depois do jantar “chic” dos tucanos para escolher o candidato do PSDB à Presidência, e o estado que o Garotinho deixou o Rio de Janeiro no tocante à segurança pública, não tenho dúvidas: 2006 é Lula outra vez.
PS-2 - Os órgãos competentes de defesa do consumidor devem analisar as canetas comuns que estão sendo vendidas em Bauru. Usa um pouco e não funciona. É uma vergonha.
Pedro Valentim - RG 19.198.011