Eles são anti-Bono, não têm discursos populistas, debocham dos “velhinhos” Rolling Stones, não almejam o fim da dívida dos países de terceiro mundo nem quiseram participar do Live 8, no ano passado. Eles só querem ser – ou voltar a ser – a maior banda do mundo. Odiados e adorados, o fato é que os ingleses do Oasis chegam a São Paulo para um show de ingressos esgotados, amanhã, no estacionamento do Credicard Hall.
Essa é a terceira vez que o agora quarteto vem ao Brasil. Em 1998, 12 mil pessoas assistiram ao show no Anhembi, e em 2001, o grupo foi uma das atrações do Rock”n”Rio. Dessa vez, Liam Gallagher (vocal), Noel Gallagher (guitarra e vocal), Andy Bell (baixo) e Gem Archer (guitarra) apresentam a turnê do disco “Don’t Believe the Truth”, lançado no ano passado. O álbum chegou ao primeiro lugar nas paradas do Reino Unido e recebeu ótimas críticas, inclusive apontando o trabalho como o melhor da banda desde “(What”s The Story) Morning Glory”, de 1995.
O repertório da turnê vem destacando especialmente os singles de “Don’t Believe the Truth” (“Lyla”, “The Importance of Being Idle” e “Let There Be Love”) e também inclui normalmente as novas “Turn Up the Sun”, “A Bell Will Ring”, “Mucky Fingers”, “Guess God Thinks I”m Abel” e “The Meaning of Soul”. Nada de desespero para quem quer os sucessos da banda, pois eles estão todos lá: “Morning Glory”, “Cigarettes & Alcohol”, “The Masterplan”, “Songbird”, “Acquiesce”, “Live Forever”, “Rock”n”Roll Star”, “Don’t Look Back in Anger” e as grandiosas “Wonderwall” e “Champagne Supernova”. A abertura, como nas últimas turnês, fica com a instrumental “Fuckin’ in the Bushes”.
A quantidade de grande canções da banda, escritas especialmente por Noel, é proporcional ao ego dos irmãos Gallagher e ao poder que suas brigas e confusões tinham de produzir manchetes em jornais e revistas de música. As drogas, os desentendimentos no meio dos shows, que culminavam invariavelmente com Liam deixando o palco, e os freqüentes cancelamentos das turnês passaram a se tornar maior do que a banda.
Apesar da turnê lucrativa do disco “psicodélico” “Standing on the Shoulders of Giants”, que gerou o CD e DVD “Familiar to Millions”, o álbum e o lançamento seguinte do Oasis, o melancólico “Heathen Chemistry”, não foram bem aceitos pelos fãs nem pela crítica. A reclamação era uma só: a falta de inventividade nas canções, que pareciam – especialmente em “Chemistry” – repetir fórmulas das músicas de sucesso da banda. As letras de Noel também ficaram menos focadas e mais devaneantes, enquanto as tentativas de Liam em compor ainda eram um pouco juvenis.
Mas nada como uma banda que consegue se reencontrar. Em entrevistas no lançamento de “Don’t Belive the Truth”, Noel assumiu que o Oasis não era mais a melhor banda do mundo, mas voltaria a ser com o novo álbum. Nas gravações, o baterista Alan White foi substituído por Zak Starkey, filho do beatle Ringo Starr, o que deu novo impacto às composições – agora sim – certeiras de Noel e às faixas de Liam, que voltou a cantar como em 1994.
Para as 14 mil pessoas que compraram ingressos e cantarão todas as músicas, a plenos pulmões, amanhã à noite, certamente o Oasis terá sido, mais uma vez, a maior banda do mundo.
• Serviço
Oasis no estacionamento do Credicard Hall, amanhã a partir das 22h. Abertura dos portões às 18h. O Credicard Hall fica na avenida das Nações Unidas, 17955, São Paulo. Informações: (11) 6846-6000 ou www.ticketmaster.com.br.