Washington - O presidente George W. Bush admitiu ontem que “a situação no Iraque está tensa”, mas afirmou que o quadro tende a melhorar com a formação de um novo governo, num processo que “exigirá negociação e compromisso dos iraquianos e paciência dos Estados Unidos e de seus aliados”. Ao final das atuais negociações, disse que o governo “representará a vontade do povo em lugar da vontade de um cruel ditador”.
Com esse enfoque otimista, Bush se lançou num projeto de curtos pronunciamentos em que pretende reverter o ceticismo da população americana com relação a sua política no Iraque. “Não perderemos a paciência”, disse.
Apenas 39% dos americanos apóiam sua política naquela região, e quatro em cada cinco eleitores - entre eles 70% dos que votam no Partido Republicano - estão convencidos de que o Iraque caminha para a guerra civil. Referindo-se às eleições de 15 de dezembro, Bush disse que “os iraquianos fizeram uma escolha. Demonstraram ao mundo que desejam um futuro de liberdade e paz e, para tanto, rejeitarão a violência de uma minoria”. Também afirmou que a formação de um novo governo “que represente todas as facções internas é o próximo passo”, embora não se trate de algo fácil. Os iraquianos compreenderam que, “se falharem nessa tentativa de união nacional, o país escorregará para a anarquia”.
Mostrou-se otimista de que os grupos confessionais se unirão para defender um projeto de democracia. Independentemente dessa abordagem geral e analítica, Bush também acusou o Irã de estar fornecendo à insurgência iraquiana de artefatos explosivos, sobretudo aqueles acionados por controle remoto e que têm provocado o maior número de mortes de militares americanos, vitimados por bombas nas estradas.
Violência prossegue
Depois de um domingo em que pelo menos 58 iraquianos morreram em atentados que tomaram sobretudo por alvo a comunidade xiita, o Iraque continuou a registrar carros-bomba e explosões em locais públicos que ontem mataram ao menos 13 pessoas e feriram outras 40. Entre as vítimas está um soldado americano, na região oeste de Bagdá. Outro americano morreu na véspera na Província de Anbar, informaram porta-vozes.
O pior incidente ocorreu em Tikrit, cidade de Saddam Hussein, com uma explosão que matou cinco policiais e um civil. O presidente Jalal Talabani disse que “os terroristas querem desencadear uma guerra civil”, aproveitando-se do lapso de poder, existente durante as negociações entre xiitas, sunitas e curdos para a formação de um novo governo. Exortou os grupos internos a chegarem rapidamente a um acordo. Disse ainda que as forças de segurança “devem agir com vigor contra esses crimes”.