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HB faz captação múltipla de órgãos para transplantes

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

Seis órgãos foram captados ontem no Hospital de Base (HB), em Bauru. Uma equipe de nove médicos, entre profissionais de Sorocaba, São Paulo e Bauru, retirou de um homem de 38 anos, dois rins, um fígado, um pâncreas e duas córneas. O procedimento ocorreu entre 7h e 10h.

O doador teve morte encefálica na quinta-feira da semana passada por conta de um traumatismo craniano que sofreu num acidente automobilístico. O fígado foi encaminhado a Sorocaba, o pâncreas ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo, as córneas ao Banco de Olhos em Botucatu e os rins ainda estão em Bauru.

A Central Nacional de Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) vai determinar, de acordo com a fila de espera, o destino dos órgãos. “Fechamos o diagnóstico na quinta-feira passada, quando constatamos morte cerebral. Comunicamos a família, que autorizou a doação, e acionamos uma equipe médica para a retirada dos órgãos”, explica o diretor técnico da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra o HB, Samuel Fortunato.

Foi a segunda captação de órgãos que ocorreu neste ano em Bauru. Em janeiro, foram coletados, de um rapaz de Barra Bonita, o fígado, pâncreas, os rins e as córneas num procedimento realizado no Hospital Estadual (HE) de Bauru.

De acordo com o enfermeiro e membro da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante da AHB, Sebastião Veloso de Matos, qualquer pessoa, independentemente da idade desde que seja diagnosticada morte cerebral, pode doar os órgãos.

Entretanto, convencer as famílias a autorizar a doação não é tarefa fácil, segundo Matos. Apenas a minoria concorda com o procedimento. Para ele, faltam informações às pessoas. “A comissão tem o papel de disseminar esclarecimentos sobre a doação. Quando as pessoas são portadoras dessas informações, elas não resistem a autorizar a captação. Neste ano, estamos investindo nessa conscientização para ampliarmos as possibilidades de doação. Quanto mais informações, mais seguras as pessoas se sentem”, observa o enfermeiro.

No ano passado, conforme ele, foram captadas 16 córneas e dois rins no Hospital de Base de Bauru.

Ao confirmar o diagnóstico de morte encefálica, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante comunica a família do paciente no sentido de incentivar a doação.

O grupo, hoje formado por dez profissionais, esclarece dúvidas e coloca à disposição, sem custo algum, uma equipe médica especializada para a captação. O procedimento só é realizado, garante Matos, com o consentimento dos familiares. Ainda segundo ele, o Ministério da Saúde determina que os hospitais com mais de 80 leitos, tenham uma comissão de captação de órgãos.

O bancário João Marcos Morais Sodate, 26 anos, é favorável à doação, já que defende que a atitude pode salvar vidas. “Acho que todo mundo tem que ter a consciência da doação de órgãos, uma atitude que salva outras pessoas. Meu filho, por exemplo, tem problema de rim. Ele pode precisar de um, por isso sei da importância desse gesto”, destaca.

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