A Polícia Civil indiciou ontem à tarde Marlon Vicente Ramos, 21 anos, acusado de praticar golpes em Bauru e São Paulo. A partir de uma estratégia inusitada, ele teria provocado prejuízos que podem chegar a R$ 25 mil. O rapaz teria utilizado cheques próprios para praticar o delito.
De acordo com o relato do delegado titular do 4º Distrito Policial (DP), Abel Fernando Paes de Barros Cortez, o indiciado teria formulado o plano em três etapas. Primeiramente, registrou um boletim de ocorrência alegando furto de talões de cheque. Depois, sustou as folhas no banco para, só então, passá-las no comércio.
Mas a estratégia foi descoberta depois que uma vítima veio de São Paulo no encalço do acusado. “Ele chegou lá com um amigo, vestido de piloto. Disse que estava com pressa porque tinha um vôo comercial. Desconfiamos por causa dos sapatos, mas consultamos o cheque e não deu nada. Ele deu dois cheques (e comprou um par de pneus esportivos e importados para Audi)”, conta o comerciante, que preferiu ter o nome preservado.
O primeiro cheque estava sem fundos e o segundo, sustado. Durante as cobranças, a mãe dele confirmou a profissão do rapaz e dizia que a dívida, orçada em R$ 12 mil, seria quitada. Porém, como o valor não foi depositado, a vítima veio a Bauru e bateu às portas do 4º DP.
Ataque epiléptico
Na delegacia, Ramos havia registrado um boletim de ocorrência por furto em 15 de fevereiro. Na ocasião, o rapaz contou à polícia que a mãe dele estava com dois talões de cheques seus e sofreu um ataque epiléptico na rua. Durante a crise, teria sido furtada. No entanto, depois de ser localizado em casa ontem, Ramos teria mudado de versão e confessado os golpes.
Ao todo, ele teria emitido cerca de 40 folhas de cheques nestas condições. Alguns deles, foram passados em restaurantes e postos de gasolina. “A Polícia Civil, por meio do setor de investigações gerais do 4º DP, dá continuidade às diligências para localizar as demais vítimas e objetos”, explica Cortez.
Foram apreendidos com Ramos, além dos dois pneus para Audi, outros seis para carros esportivos, dois lap tops (cotados em R$ 5 mil cada um) e seus acessórios, um celular, além de talões de cheques, cartões de crédito e R$ 2.450,00 em espécie. O carro dele, um Vectra, também foi apreendido e permanecerá no pátio da 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) à disposição da polícia para eventuais averiguações.
Ramos responderá às acusações em liberdade porque passou os cheques há alguns dias e não foi feito flagrante. Consultado pelo JC, ele preferiu não comentar a ocorrência.
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Pena
Marlon Vicente Ramos foi indiciado por estelionato e falsidade ideológica - por ter registrado o boletim de ocorrência, sem que o crime tivesse ocorrido. A pena prevista para o segundo crime varia entre um e cinco anos de reclusão.
É a mesma prevista para estelionato. Ramos poderá responder por cada um dos golpes que venham a ser apurados. Ele foi localizado por meio do departamento de investigações do 4º DP, coordenado pelo delegado Dinair José da Silva.